Agora Santa Inês - Não interrompa seu tratamento!

Não interrompa seu tratamento!

            Tenho dito, sistematicamente, que os danos à saúde mental, podem ser atribuídos a inúmeros fatores, internos ou externos a cada um de nós. Um destes fatores que se sobressai entre os demais são os preconceitos em torno dos tratamentos dessas doenças. Os Impactos provocado por isso são tão grandes, que em muitos casos, podem resultar em danos graves no comportamento e em mortes. Vejam, por exemplo, o caso de pessoas que se suicidam por não procurarem, antecipadamente, um psiquiatra para fazerem um tratamento. Ou então, casos de pessoas que apresentam pela primeira vez uma doença mental de fácil diagnóstico e controle clínico e que se tornou crônica, prematuramente, devido ao fato de não ter iniciado seu tratamento, em tempo devido.

              As facetas dos preconceitos nessa área são múltiplas e dependendo onde eles ocorrem, podem desencadear respostas especificas, no diagnóstico, na evolução, tratamento e no prognóstico dessas doenças. Segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS, cerca de 720 milhões de pessoas sofrem com doenças mentais em todo mundo, isso representa aproximadamente 10% da população mundial. Como podem notar, o número de pessoas afetada por essas enfermidades é muito grande, o que por si só, já seria o suficiente para que houvesse um maior interesse nas políticas públicas na área da saúde mental.

              Os transtornos mentais, que ocorrem, difusamente entre crianças, adolescentes, adultos ou idosos. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), demonstram que transtornos mentais como depressão, abuso de álcool e alcoolismo, transtorno bipolar e esquizofrenia se encontram entre as 20 principais causas de incapacitação entre as pessoas. Os transtornos de ansiedade atingem 01 em cada 5 pessoas e em geral, essa situação não é diagnosticada.

              Só a depressão, afeta mais de 350 milhões de pessoas em todo mundo, em nosso país, aproximadamente, 5,8% da população brasileira sofrem de depressão, perfazendo um total de 11,5 milhões de casos. Esse índice é o maior da América Latina e o segundo maior nas Américas, atrás apenas dos Estados Unidos, que registram 5,9% da população com esse transtorno, perfazendo um total de 17,4 milhões de pessoas afetadas por depressão.

             Outros dados epidemiológicos demonstram que cerca de 50% dos adultos podem vir a sofrer de doença mental, em algum momento da sua vida. Mais da metade dessas pessoas poderão apresentar sintomas depressivos de intensidade de moderados a graves. Outro fato notório, é que 04 das 10 principais causas de incapacidade funcional em pessoas com mais de cinco anos de idade é atribuído a um transtorno mental, sendo a depressão, como vimos acima, a principal causa entre as doenças incapacitantes.

              Apesar dessa prevalência elevada de doenças mentais, apenas cerca de 20% das pessoas que têm doença mental procuram assistência médica e isso é atribuído, entre outras coisas, aos enormes preconceitos em procurar um psiquiatra.

           Segundo ainda a OMS esse transtorno é a principal causa de incapacitação dos indivíduos no mundo quando se considera o total de anos perdidos (8,3% dos anos para homens e 13,4% para mulheres) e a terceira principal causa da carga global de doenças em 2004. A previsão é que até 2030 os índices de depressão seja a principal doenças entre os brasileiros. As doenças mentais mais invalidantes são: Depressão, Síndrome de Burnout, Síndrome de Pânico, Esquizofrenia, Transtorno de Ansiedade Generalizada – TAG, Transtorno Bipolar, Dependência Química. Entre as 10 doenças humanas mais invalidantes (não mentais), seis são doenças mentais. 

             Ninguém está imune a desenvolver na vida uma doença mental, especialmente se nós as considerarmos que as mesmas são doenças de multifatoriais. Isto é, não são doenças causadas por um único fator e sim por múltiplos fatores interatuantes e interrelacionados que exercem, em distintas proporções, seus efeitos causadores. Por isso é que, regra geral, os tratamentos recomendados em Psiquiatria, sempre são múltiplos, tais como o uso de fármacos, psicoterapias, atividades ocupacionais, etc.

              Particularmente, quanto ao uso de medicamentos, é onde recaem os maiores índices de preconceitos e como consequência disso muitos interrompem de forma indevida seus tratamentos deixando todas essas pessoas expostas a uma evolução errática quanto a evolução de suas doenças.

              Como a absoluta maioria dessas doenças, podem evoluir para a cronificação, o que menos deverá ocorrer nessa situação seria a interrupção do tratamento recomendado, seja qual for a doença que seja o alvo do tratamento. Depressões, transtornos de ansiedade (pânico, fobias, TAG, TOC, etc.), dependência química (sobretudo alcoolismo e dependência de outras drogas) esquizofrenias, transtornos de personalidades e um número grande de outras enfermidades, que exigem tratamentos medicamentosos entre outros, não deveriam alterar seus tratamentos, sem ouvir previamente, as recomendações médicas. Por isso a família e os próprios paciente devem confiar no médico e em suas orientações.

            Portanto, se a opção do tratamento recair no uso de medicamentos, entre outros procedimentos terapêuticos e se esse tratamento, especialmente recomendado, estiver funcionando, deve-se mantê-lo até segunda ordem do médico em consonância com o parecer do paciente e da família. Interromper o tratamento por conta própria, fato que ocorre em 40% nos tratamentos psiquiátricos (segundo a OMS), é um grande equivocado na prática clínica.

            Diante de todos esses fatos, o que mais recomendamos na atualidade, é que as pessoas, portadoras de transtornos mentais e que estejam eventualmente tomando medicamentos, siga a orientação médica e mesmo que estejam passando bem, mantenham seu tratamento proposto pelo especialista. O fato de serem de tarja preto, ou ter que usar o medicamento por certo tempo não significa que se tornarão dependentes. Há casos em que o médico recomenda o uso por mais tempo, mas tudo isso vai depender da avaliação clínica. Não interrompa seu tratamento!

 

Postado por: Redação do Agora

Categoria do Post:

Data: 28/03/2022

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Palavras-chave: Não interrompa seu tratamento!

Fonte:

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