Agora Santa Inês - A Síndrome Alcoólico Fetal - SAF

A Síndrome Alcoólico Fetal - SAF

O uso, abuso e dependência do álcool, permanece sendo um dos maiores problemas de saúde no mundo. O referendo sociocultural, a legalidade do uso e os efeitos fisiológicos dessa substância são, entre outros fatores, os maiores atrativos para se usar álcool por tantos anos. Estima-se que o homem faça uso do álcool há mais de 10 mil anos e tudo indica que permanecerá fazendo por mais longos anos.

                 O álcool é uma substância especial e não é comum como muitas outras. Trem seu efeito farmacológico no sistema nervoso central (cérebro) e provoca uma depressão nas atividades desse sistema, portanto é uma substância depressiogênica (gera depressão das atividades do cérebro), muito embora seus efeitos psicológicos, em pequenas doses, possam provocar desinibição, loquacidade, efeito euforizante e desinibidor.

              Uma das piores consequências do seu consumo longo e abusivo, entre tantas, é a possibilidade de provocar a dependência do álcool, condição designada de alcoolismo ou Síndrome de Dependência do Álcool – SDA. Nos dias atuais, tanto no curso natural da pandemia como nesse período de arrefezemento epidemiológico dessa doença, consumiu-se bem mais álcool, comparativamente a períodos anteriores, fato que vem gerando maiores danos à saúde, em todos os sentidos (física, psíquica e social). Segundo a Organização Panamericana da Saúde o crescimento foi de 93,9%.

              Outro aspecto importante sobre o consumo do álcool é que as mulheres vêm bebendo mais, nos últimos 20 anos, comparativamente aos homens, os quais permanecem bebendo mais que as mulheres. Se essa mulher bebe em condições de gravidez a situação é bem pior, uma vez que, os danos em ambas, bebês e gestantes são enormes.

                Mãe e filho (a) estão visceralmente ligados através da placenta e permanecerão assim por longo tempo, de tal forma que tudo que ocorra com ela em matéria de ingesta de alimentos, álcool ou outras substâncias, passará também para o corpo dessas crianças. Outra coisa importante, quanto ao uso do álcool, é que não há um uso considerado “seguro” que garanta a inocuidade em seres na vida intrauterina, independentemente, inclusive, da quantidade de álcool consumido, pois vários fatores podem interferir no metabolismo, mecanismo de ação e excreção dessa substância no corpo da mãe e do feto, especialmente nos três primeiros meses de gestação. A própria ingestão de bebidas deixa a gestação em situação perigosa, arriscada e com muitas possibilidades de inviabilizá-la. Quanto mais pesado for esse do consumo, piores serão as consequências.

                   Microcefalia, alterações faciais (As alterações faciais são caracterizadas por: microftalmia, retrognatismo e ausência do sulco nasolabial), alterações renais, cardiopatias, retardo mental, dificuldades na aprendizagem, hiperatividade, déficit de atenção, alterações na psicomotricidade, na cognição e na adaptação psicossocial, podem ser consequências diretas do consumo do álcool, pelo feto, através da mãe.

                   Além dessas alterações, acrescenta-se o abortamento, natimortos e o principal transtorno, a Síndrome Alcoólico Fetal, conhecida pela sigla SAF. Essa não tem cura e as consequências para acriança são avassaladoras e para o resto da vida. Muitas crianças com SAF morrem antes de completar cinco anos devido a precariedade de seu nascimento, desenvolvimento e das suas defesas naturais.

              Todos os órgãos e sistemas biológicos da mãe e do bebê são afetados pela ação do álcool etílico, principalmente o cérebro da criança pois está em processo de desenvolvimento. O cérebro é um órgão ultra complexo que comanda nossa vida. É um órgão nobre e um dos mais importantes dos seres humanos, sendo nele que age o álcool etílico, conforme anunciamos acima. Ao ser afetado pode provocar graves transtornos neuropsiquiátricos, emocionais e comportamentais.

              O cérebro desempenha um papel preponderante em todas as atividades do corpo, das emoções, da cognição e do comportamento. É tão importante que na ausência de sua atividade define-se a morte clínica. A maturação do cérebro, desde o nascimento até idades posteriores, é mantida por um volume de mais de 100 bilhões de células nervosas, sendo que ao longo dos dois primeiros anos de vida com o crescimento contínuo do volume do cérebro, constitui-se um período de grande vulnerabilidade.

              O cérebro em distintas fases do seu desenvolvimento sofre a influências de muitos fatores: estresse agudo e crônico, uso de álcool, tabaco e de outras drogas, traumas psicológicos e emocionais, problemas psiquiátricos, privações econômicas, desnutrição e muitas outras situações negativas, as quais podem interferir com sua funcionalidade.

             A neuroplasticidade, capacidade de mudança e reorganização dos neurônios ocorre de acordo com mudanças ambientais, experimentais, sociais, físicas e lesões graves do cérebro, é o que nos garantirá a adaptação psicossocial e comportamental, por conseguinte, a presença do álcool nessas condições fatalmente afetará de forma negativa a saúde mental e o desenvolvimento psicomotor dessa criança. Outros fatores, como: som, tato, visão, olfato, comida, pensamentos, traumatismos e doenças sistêmicas e locais, bem, podem interferir também em sua funcionalidade.

                Os danos à saúde do bebê e das parturientes quando expostos ao álcool são por demais graves e conhecidos. Só para se ter uma ideia, em uma hora de ingestão, a taxa de álcool no corpo da mãe será a mesma da criança. A diferença é que a mãe bebe pela boca e a criança irá beber por vasos. O álcool etílico é o responsável número 1 para casos de Retardo Mental e Teratogenias no mundo ocidental (deformidades e alterações graves no feto).

                Uma das síndromes mais graves, ocasionada pela exposição do feto ao álcool, como já dissemos acima, é a Síndrome Alcoólico Fetal – SAF, que foi identificada pelo pediatra e pesquisador francês Lemoine, em 1968. Na França, ela atinge mais de 8 mil recém-nascidos/ano. No Brasil, cerca de 50 mil bebês/ano são vítimas da (SAF). A estimativa é que ocorram de 0,5 a 2 casos em cada mil nascidos vivos. Para o Ministério da Saúde, um a cada mil bebês nascidos vivos apresenta a SAF. No mundo, anualmente, este número chega a um milhão.             

            Diante do exposto, fica a pergunta-se: será que os Gestores da Saúde, os Coordenadores de Programas Pré-natais ou de Aleitamento Materno, Diretores de Hospitais Materno - Infantis, de Ginecologia e Obstetrícia, não poderiam propor ações mais concretas para o enfrentamento desses problemas? Será que o Ministério da Saúde (MS) não poderia tornar a SAF sob notificação compulsória, para mostrar sua realidade em nosso país e nos ajudar a enfrentá-la? Será que as Universidades, que formam esses profissionais, não poderiam participar dessa luta e tratar esse tema com maior rigor nos diferentes cursos de formação em saúde?

 

Postado por: Redação do Agora

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 03/08/2022

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Palavras-chave: A Síndrome Alcoólico Fetal - SAF

Fonte:

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