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Agora Santa Inês - Por que rasparam a cabeça de Eike Batista?

Por que rasparam a cabeça de Eike Batista?

O texto que titular acima é intrigante. E, porventura, se houver paciência para pensar e repensar o que é a prisão, ainda assim, continuará tendo dúvidas sobre para que serve o sistema carcerário, ou seja, o recolhimento do ser humano a grades de uma delegacia ou de um presídio.Qual é o intuito de afastar o ser humano da vida em sociedade? A vida carcerária modificar o preso?, e assim por diante.Do doutor ao homem mais simples indaga-se cotidianamente sobre os efeitos da prisão. Atualmente o Brasil tem sido palco de diversas prisões, inclusive, a mais recente trata-se de um bilionário - Eike Batista.A cena do bilionário ainda no aeroporto de Nova York, até o Brasil foi televisionada instantaneamente. Mas para a maioria dos brasileiros a cena que mais chocou foi quando Eike aparece de cabeça raspada, sem dúvida, houve várias indagações como de um motorista de táxi ao advogado Leonardo Isac, vejamos:Entrando em um táxi a caminho da “Justiça Federal” o jovem motorista, com seus cabelos longos, me pergunta: – Doutor, o senhor é advogado?Eu respondo: – sou sim, sou criminalista.– Então o senhor vai poder me esclarecer uma dúvida! Por que raspam a cabeça do preso?– Um agente do estado responderia a você o seguinte: “É um procedimento operacional padrão (POP) que visa garantir a higiene e a saúde dos detentos, bem como de todos que trabalham nos presídios”.– Qual outra resposta poderia ser dada, doutor? – Indaga o motorista alisando suas longas madeixas.– Bem, Foucault… – Quem? Interrompe-me abruptamente o motorista. –Michel Foucault, sociólogo, filósofo e pensador francês, diria: “o poder disciplinar é com efeito um poder que, em vez de se apropriar e de retirar, tem como função maior adestrar; ou sem dúvida adestrar para retirar e se apropriar ainda mais e melhor. Ele não amarra as forças para reduzi-las; procura ligá-las para multiplicá-las e utilizá-las num todo”. A disciplina “fabrica indivíduos; ela é a técnica específica de um poder que toma os indivíduos ao mesmo tempo como objetos e como instrumentos de seu exercício...”.[1]– Complicado isso doutor.– Sim, mas é a verdade. Na prisão, observa Hulsman, o condenado “penetra num universo alienante, onde todas as relações são deformadas. A prisão representa muito mais que a privação da liberdade com todas as suas sequelas. Ela não é apenas a retirada do mundo normal da atividade e do afeto; a prisão é, também e principalmente, a entrada num universo artificial onde tudo é negativo. Eis o que faz da prisão um mal social específico: ela é um sofrimento estéril”.[2]– Quer dizer então que o preso deve ser humilhado, doutor? Que sacanagem! – Concluiu o assustado motorista.– Isso mesmo. Humilhado, dominado e adestrado.– Doutor, mas e o tal dos direitos humanos permite isso?– Olha, de acordo com a Constituição da República – nossa lei maior – “é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral” (art. 5º, XLIX). Diz ainda, a Constituição que “ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante” (art. 5º, III).– Doutor, eu posso fazer uma última pergunta?– Claro.– O senhor acha que a prisão recupera?– José Carlos (nome do motorista) sua pergunta é bastante complexa e acho que vamos chegar ao destino antes que eu consiga lhe responder devidamente, mas vou tentar lhe dizer algo: na prisão forma-se outra sociedade, bastante diferente da que existe no mundo livre. Na prisão vigora outras regras. Na verdade, quanto mais tempo o indivíduo passa na prisão mais dificuldade terá de se adaptar a vida extramuros. Assim, sendo bastante sincero contigo, não vejo nenhuma possibilidade de alguém sair melhor da prisão do que entrou. A prisão quase sempre transforma os seres humanos para piores. É um sofrimento desnecessário e estéril.– Doutor, chegamos.– Sim, chegamos. Espero que você tenha uma boa tarde.– Depois dessa nossa conversa vai ser difícil, doutor.– Difícil mesmo é sobreviver na prisão…

Postado por: Redação Agora

Categoria do Post:

Data: 10/02/2017

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Palavras-chave: Por que rasparam a cabeça de Eike Batista?

Fonte: MÁRCIO BECKMANN

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