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Agora Santa Inês - A LEITURA E A PRODUÇÃO DE PENSADORES

A LEITURA E A PRODUÇÃO DE PENSADORES

“crianças que estudam para cangaceiros na escola da miséria e da exploração do homem”.(Jorge Amado)

Assisti uma conferência de Claudia Maria Costin sobre a formação de pensadores nas escolas brasileiras, usando o texto literário. Fiquei surpreso com a profundidade dos conhecimentos a respeito do tema. A escola só foi universalizada, entre nós, no início do século XXI, mas não incorporou a aprendizagem como algo necessário. Não levou a leitura para dentro do processo de ensino. Quando ocorre o trabalho além do currículo, é algo pontual, sem nexo com as experiências humanas dos discentes.

Os professores não trabalham as relações dialógicas da literatura, relacionando-a aos fatos da vida cotidiana. Não temos a tradição dos clubes de leitores e estamos muito preocupados com horário e preenchimentos de fichas, que nos são impostas pelas redes de ensino. 

Em resumo, montamos uma escola para cumprir a obrigação constitucional. Aproximamos a realidade do mínimo exigido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação e pelos acordos com o Banco Mundial, no entanto a prática é a da transmissão de respostas para passar ‘de ano’, ou no máximo, no ENEM.

É um ensino universal, excludente! O que importa é a intenção? Sim. A elite nacional quer exatamente isto. Todos em sala de aula, sem aprender. Por que acuso? Investíamos algo em torno de cento e sessenta bilhões em educação, ano. Congelaram os gastos. E cortarão boa parte deste recurso para pagar juros aos bancos. Os banqueiros, (coitadinhos), agradecem!

A Claudia, meus leitores, ocupou várias funções importantes: foi professora visitante da Faculdade de Educação de Havard, Secretária de Educação do Rio de Janeiro, Diretora Global de Educação do Banco Mundial. Hoje é Diretora do Centro de Excelência e Inovações Políticas da Fundação Getúlio Vargas e tem convulsões ao falar sobre esta farsa, que imbeciliza, ao mesmo tempo que afasta os pobres do capital cultural.

Escutava tudo, lembrando do Fédon, que monta a cena do último diálogo de Sócrates, antes de tomar a cicuta. O grande filósofo da antiguidade fala sobre a imortalidade da alma e sobre a morte. Ele volta-se para Cebes com a seguinte sentença: “é uma espécie de prisão o lugar onde nós, homens, vivemos, e é dever não se libertar a si mesmo nem se evadir. Fórmula essa, sem dúvida, que me parece tão grandiosa quão pouco transparente”. Trouxe para a minha argumentação a sentença deslocada do contexto, com a intenção de mostrar a eterna prisão do corpo, na ignorância. Precisamos conhecer para nos libertar! Deste modo, a senzala continua cheia!

Logo, uma escola sem prática cotidiana de leitura, sem professor leitor, sem projeto coletivo de feiras de livros não pode formar pensadores. Uma pedagogia que se apavora com a reflexão feito o interlocutor socrático, mata os quatro pilares. O ensino baseado só no livro didático não forma nada. Montamos imbecis para serem explorados, feito bichos.

Eu entendo as contorções dos justos! 

 

 Texto: PAULO RODRIGUES – Professor de Literatura, poeta, escritor autor de O Abrigo de Orfeu (Editora Penalux, 2017) e Escombros de Ninguém (Editora Penalux, 2018).  

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 29/12/2018

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Palavras-chave: A LEITURA E A PRODUÇÃO DE PENSADORES

Fonte: PAULO RODRIGUES

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