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Agora Santa Inês - RÉQUIEM DIPLOMÁTICO

RÉQUIEM DIPLOMÁTICO

Ainda na década de 1990 e até princípios do século atual você poderia encontrar em Consulados e Embaixadas do Brasil, no primeiro mundo, protegidos da família Vargas que entraram pela janela no Itamaraty, sem concurso público, com as qualificações exclusivas do pistolão político. Em Miami, onde chefiei interinamente o Consulado Geral do Brasil em 1983, conheci a simpática fina e bem educada Marília Vargas, que sofreu horrores nas mãos de um chefe que, diplomata, trabalhava para o SNI, e dava cobertura a contrabando de equipamentos e armas dos Estados Unidos para o Brasil. Em Praga, no ano de 2001, recebemos outra funcionária egressa desses tempos dos empregos por pistolões no Itamaraty. Uma socialite do Rio de Janeiro, que não trabalhava e passava o dia flanando em passeios, restaurantes e óperas com os seus convidados da elite carioca. Na época do populista pai dos pobres, o Itamaraty era mais cobiçado do que carne de boi no sertão do Ceará. Até o guarda costas de Getúlio, responsável pelo tiro que deu no próprio peito, colocava vagabundos e vagabundas em Paris, Roma, Londres e Lisboa, capital dos analfabetos em línguas estrangeiras. Mas toda essa ocupação de espaços públicos não tinha conotações ideológicas e não atingia a sede diplomática no Rio de Janeiro, até os anos 1970, e depois, em Brasília. Essa presença de fora dos quadros manteve-se, depois da exigência de concursos públicos para as carreiras do serviço exterior, apenas com a nomeação de adidos com missões específicas na área militar, da cultura, e posteriormente, da inteligência. Os amigos e amigas do poder varguista foram se extinguindo em seus próprios funerais. A partir de 2003, o PT tentou, mas desistiu, em face da lei, de colocar sua militância em postos chaves de comando da diplomacia no Itamaraty. Teve que organizar sua ocupação ideológica pela cooptação de membros do serviço exterior. A novidade, de hoje, 4 de janeiro de 2019, é a abertura completa das porteiras do Itamaraty para nomeações dos novos companheiros verde e amarelos, contrários aos vermelhos, para chefias na sede do Itamaraty. O que o PT não ousou, Ernesto Araújo conseguiu. Implodir o Itamaraty. Implodir porque explosão parece que não haverá por parte dos dóceis funcionários do Serviço Exterior Brasileiro. Serão nomeações de cargos comissionados para chefias políticas da Casa, que permitirá a Deus promover o maior aparelhamento ideológico de todos os tempos na diplomacia brasileira, e acabar, de uma vez por todas, com uma diplomacia profissional de renome mundial. É tiro de canhão. Massacre e vitória do fundamentalismo ideológico de novos ruminantes do passado remoto.

*Miguel Gustavo de Paiva Torres, diplomata, é comendador da Ordem de Rio Branco.

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 04/01/2019

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Palavras-chave: RÉQUIEM DIPLOMÁTICO

Fonte: Miguel Gustavo de Paiva Torres, diplomata, é comendador da Ordem de Rio Branco.

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