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19/01/2013 12h55

HORA DE MUDANÇA

Renato Artur Nascimento

Depois de 13 anos vivendo, lutando, aprendendo e ensinando em Santa Inês chegou a hora da mudança. Mas é melhor me explicar. Vim para esta cidade no começo de 1999, acompanhando Marcos Kowarick que fora nomeado como Gerente Regional. Na época eu era o chefe de gabinete. Vim como militante e dirigente do PC do B, cumprindo uma tarefa partidária. Cheguei me estabeleci e por volta de julho do mesmo ano, toda minha família também veio.

Uma viagem sem previsão de retorno, um verdadeiro salto no escuro. O trabalho era temporário, mas vim com a intenção de tocar a vida. Para deixar São Luís para trás eu e minha família “queimamos as pontes”, minha mulher deixou o emprego que tinha em uma escola particular na ilha e veio só com a matrícula do Estado. O futuro começaria a ser construído aqui. Casa alugada, escola para minha filha e a vida seguindo. Trabalho, muito trabalho!

Como militante e dirigente de um partido político, como o PC do B, era necessário me desdobrar em várias atividades. Acumulei funções e tarefas com o intuito de ajudar também na condução da vida partidária. Fiz amigos, conheci velhos companheiros com anos de vida e experiência acumulada. Gente provada na luta! Que chamávamos carinhosamente de Velha Guarda. Muitos destes, que ainda vivem em Santa Inês, são verdadeiros arquivos de um tempo não muito distante, mas muito pouco conhecido. Na minha formação como historiador conheci também o fundador e primeiro presidente do STR da cidade e esta história precisa ainda ser recontada, o que espero poder fazer em breve.

Da mesma forma que fazemos amigos, juntamos antipatias e então, sem que percebamos, passamos a ter inimigos. E o pior tipo é aquele que está ao seu lado. Aprendi, durante a minha formação militante, com um dirigente do PC do B, ainda no Rio de Janeiro, no inicio dos anos 80, Rogério Lustosa, que depois vim saber que fora preso pela PF em Santa Inês em 1972, próximo à loja das Casas Pernambucanas, na Rua do Comércio. Aqui este camarada usava o codinome de Severino. Sempre lembrado pela Velha Guarda! Mas Lustosa me disse uma vez: para combater na nossa luta diária precisamos confiar em quem está ao nosso lado, pois se não confiamos nas pessoas, como voltar-lhes as costas, sem saber que poderemos ser atacados?

São coisas que a vida ensina! Esta é uma primeira despedida, muito há que falar das lutas travadas, do que foi aprendido e do que pude ensinar. Agradeço ao Silveira e aos amigos do jornal Agora Santa Inês pelo espaço em suas páginas e me comprometo a tentar manter contato com os leitores sempre que o Editor permitir, inclusive para dar continuidade a minha história com esta cidade, pois ainda há muito para ser lembrado!