23/03/2011 12h29
13 milhões de brasileiros não têm vaso sanitário
O governo brasileiro festejou há poucos dias o salto de 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB) de 2010. Esse bom desempenho econômico elevou o país ao sétimo lugar entre as maiores economias do mundo. Entretanto, ainda permanece no triste ranking das dez nações com o pior sistema de saneamento do planeta. De acordo com um estudo do Instituto Trata Brasil/OMS e Unicef, 13 milhões de brasileiros não tem vaso sanitário, algo que não condiz com a realidade de um Estado que pretende se igualar às maiores potências mundiais.
Sem água
Apesar de o Brasil ter 12% de toda a água doce da Terra, o país ainda precisa investir R$ 70 bilhões para garantir o abastecimento do insumo até 2025. Desse valor, R$ 47,8 bilhões correspondem a recursos para o tratamento de esgoto e o restante, em infraestrutura — sem incluir os gastos com a distribuição. Essas informações constam do Atlas Brasil, documento que será divulgado hoje, Dia Mundial da Água, pela Agência Nacional de Águas (ANA).
O Sudeste, por ser mais populoso, demanda maior volume de investimentos em infraestrutura. Na Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (Ride-DF), são necessários R$ 861,8 milhões. “Os investimentos são necessários para não comprometer o fornecimento de água, e o Atlas será uma ferramenta para a sociedade cobrar as autoridades”, comenta o superintendente adjunto de Planejamento de Recursos Hídricos da ANA, Sérgio Ayrimoraes Soares.
Maioria não tem saneamento
Especialistas do setor, no entanto, falam em cifras bem maiores em saneamento para atender os 53% da população brasileira ainda sem esgoto tratado. Esse montante oscila entre R$ 120 bilhões e R$ 270 bilhões. “No ritmo atual, o país levará 60 anos para zerar esse deficit”, aponta o presidente do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos. “O Brasil ainda está no nono lugar do ranking da vergonha, com 13 milhões de pessoas sem ter onde fazer suas necessidades”, alerta.
O coordenador do Projeto Água da WWF Brasil, Samuel Barreto, lembra que o ritmo dos investimentos do governo brasileiro está aquém do necessário para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos e reduzir o índice de mortes de doenças provocadas por água contaminada. “Cada dólar investido em saneamento significa uma economia quatro vezes maior em saúde”, destaca.
Correio Braziliense