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09/04/2011 12h59

Tragédia no Rio choca o país

Uma tragédia sem precedentes na crônica policial brasileira foi registrada a manhã de quinta-feira, dia 7, em Realengo no Rio de Janeiro.Um ex-aluno da Escola Municipal Tasso da Silveira, invadiu aquela escola abriu fogo e matou pelo menos 12 crianças, antes de cometer suicídio. Dez meninas e dois meninos foram mortos.

O atirador foi identificado pelos bombeiros como Wellington Menezes de Oliveira, de 24 anos, que, segundo as autoridades, já havia sido aluno do centro de ensino e cometeu suicídio depois de enfrentar a polícia.

Um vídeo do circuito interno de câmeras da escola mostra alguns momentos do ataque: nele podem ser vistos adolescentes correndo desesperados, caindo ao chão e se levantando, tentando escapar do atirador, que passa a toda velocidade diante da filmadora.

“Funcionários da escola informaram aos policiais que o jovem chegou bem vestido, carregando uma mochila, e disse que daria uma palestra para os alunos. Foi assim que subiu ao terceiro andar do prédio”, afirmou o coronel Evandro Bezerra, relações públicas do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro.
O coronel disse ainda que o atirador aparentemente premeditou o ataque. Wellington deixou uma carta incogruente, carregada de referências religiosas e na qual anunciou seu suicídio.

Para o coronel Bezerra, Wellington foi à escola “preparado para fazer isso”. Segundo o coronel Djalma Beltrame, comandante do 14º Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro, “um policial que chegou à escola conseguiu ferir o criminoso na perna na troca de tiros, mas o homem se matou com um tiro na cabeça”.

De acordo com Beltrame, alguns policiais participavam em uma operação de fiscalização de vans ilegais quando um aluno ferido conseguiu fugir e alertar a um dos agentes.
“Se os policiais não chegassem tão rápido, a tragédia teria sido ainda maior porque ele tinha muita munição e carregava duas armas”, declarou.
O ataque aconteceu no início das aulas, numa escola frequentada por cerca de 400 alunos. A polícia isolou o lugar para conter a multidão de pais, vizinhos e amigos que buscavam informações, em meio a cenas de desespero.

Em Brasília, a presidente Dilma Rousseff prestou uma emocionada homenagem às vítimas do massacre e decretou 3 dias de luto:
“Não era e não é característica deste país viver este tipo de crime. Estamos todos unidos em repúdio a este ato de violência contra crianças indefensas. Por isso quero prestar homenagem a estas crianças inocentes que perderam a vida e o futuro neste crime”, afirmou.

Com a voz embargada, Rousseff pediu um minuto se silêncio para mostrar “nossa homenagem a estes brasileirinhos que foram retirados tão prematuramente da vida”.

“É uma tragédia sem precedentes no Brasil”, enfatizou o ministro da Educação, Fernando Haddad.

Este foi o primeiro caso de massacre numa escola ocorrido no Brasil e a imprensa local chegou a compará-lo com a tragédia americana de Columbine, quando dois jovens, de 17 e 18 anos, armados com revólveres e mais de 30 bombas artesanais, abriram fogo num colégio do Colorado, matando 12 alunos e um professor antes de se suicidar.

O único precedente de um ataque em uma instituição educacional na região remonta a setembro de 2004 na Argentina, quando um aluno de 15 anos matou a tiros três colegas e feriu cinco num colégio da localidade de Carmen de Patagones, sul de Buenos Aires.

SEPULTAMENTO OCORREU ONTEM
Durante toda a sexta-feira (8), familiares, parentes e moradores do bairro de Realengo deram adeus a 11 das 12 crianças mortas pelo atirador Wellington Menezes de Oliveira na Escola Municipal Tasso da Silveira, na Zona Oeste do Rio. O corpo de Ana Carolina Pacheco da Silva, de 13 anos, será cremado hoje, sábado (9).

Apenas o corpo do atirador Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, ainda está no Instituto Médico Legal (IML). Segundo o IML, após dez dias, o rapaz será enterrado como “corpo não reclamado”.

Vizinha da família de Ana Carolina, Fernanda Pereira afirmou que a menina era uma criança normal, como todas outras: “brincava com a minha filha de 8 anos toda hora, mas foi tirada da gente dessa forma”, disse. Segundo ela, a família decidiu pela cremação e as cinzas de Ana Carolina serão deixada num lugar ainda a ser escolhido.
Igor Morais da Silva de 14 anos, foi enterrado por volta de 17h desta sexta-feira no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap. O irmão dele, Eduardo Morais da Silva, de 11 anos, também aluno da escola, estava desconsolado.

“O que eu mais gostava era quando meu irmão jogava bola comigo”, recorda ele.

“Ele saiu vivo, voltou morto. Acordou às 6h para ir à escola, e não voltou mais”, dizia, em voz alta, Dalva de Oliveira, amiga da família e ex-diretora da creche que cuidou de Igor e Eduardo. “Isso não pode acontecer. Não pode!”, bradou ela.

Todas as cerimônias foram marcadas por muita emoção nesta sexta-feira (8). A costureira Ana Rosa do Nascimento, de 54 anos, não escondeu a tristeza durante o enterro da sobrinha, Milena dos Santos Nascimento, no Cemitério do Murundu. O corpo da jovem, de 14 anos, foi enterrado sob aplausos de familiares e amigos do bairro. Para a tia da adolescente, a família ficou ‘destruída’ com a tragédia.