09/11/2011 10h50
Idosos: grandes consumidores de medicamentos
Em 2025, o Brasil terá a 6ª maior população de idosos do mundo, cerca de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Dessa forma, nas próximas décadas, deve haver um aumento significativo da proporção de idosos que procuram os serviços de saúde, e na sua maioria os idosos desenvolvem múltiplas morbidades crônicas: 80% dos idosos tem pelo menos 1 e cerca de 15% tem pelo menos 5 doenças crônicas não transmissíveis. (DCNT)
A redução da mortalidade na idade avançada retardam a sequela letal pela DCNT, o que trouxe, como consequência, uma longa convivência com alguma doença crônica. Isso levou a um aumento do consumo de medicamentos usados para o controle das comorbidades, que são utilizados de forma crônica e por tempo indeterminado.
Estima-se que 11% dos idosos consomem pelo menos 4 drogas diariamente. Em instituições asilares, a média é de 7 drogas, e em pacientes hospitalizados, pode chegar a 10 medicamentos/paciente/dia.
A polimedicação já foi vista como uma forma de prescrição impropriada, porém, em se tratando de idosos, com muitas patologias que precisam ser tratadas, ela frequentemente tem indicação aadequada.
Muitas vezes, a preocupação com o potencial risco da terapia no idoso acaba deixando-o ou não o beneficiando com uma terapia eficaz e segura.
As alterações fisiológicas das drogas, alterando o efeito desejado. Mesmo com os princípios da farmacoterapia não tendo se modificado muito dos últimos 20 anos, o tratamento medicamentoso vem se tornando, a cada ano, bem mais complexo para quem prescreve, pois há grande disponibilidade de novas drogas, com perfil farmacológico e mecanismo de ação novas, com novos efeitos colaterais e interações medicamentosas antes não conhecidas, esses são os principais fatores que afetam o uso de medicamento no idoso.
Por Dra. Marta Pinheiro Barros
Médica Especializada em Gerontologia Social e Saúde do Idoso pela UFMA