/Cantinho do Idoso
03/12/2011 11h01

Nada como um bom amigo

A rede social que desenvolvemos está fortemente ancorada no funcionamento cerebral. Amigos propiciam bem-estar, asseguram saúde própria e ajudam a prolongar a vida.

Para seres sociais, como nós, ter companhia é mais do que um desejo, é uma necessidade fundamental para o bem estar. E não conta tanto recebermos demonstrações constantes de afeto, é mais importante sabermos que os outros estão lá, disponíveis e ao nosso alcance, mesmo que seja apenas para nos ouvir e oferecer o ombro em tempos difíceis. Por isso, o isolamento prolongado costuma provocar sofrimento psíquico e faz o corpo adoecer.

Estudos recentes mostram que relações estáveis estimulam a saúde mental e física e até prolongam a vida. Segundo, psicólogos, os amigos íntimos são decisivos para nosso bem-estar psíquico. Pesquisa da Escola de Saúde Pública de Harvard, em Boston, mostram que homens idosos com muitos amigos tem no sangue uma concentração muito menor da substância “interlucina-6” (que causa inflamação e é considerado fator de risco para doenças cardiovasculares) em comparação com os mais solitários. Pesquisas também revelam que pessoas que cultivam relacionamentos conjugais harmoniosos e/ou tem pessoas com que de fato podem contar, adoecem menos e vivem mais do que as que tem poucos relacionamentos afetivos. O impacto positivo direto dos relacionamentos sobre o bem estar na relação da resposta ao stress crônico. Se considerarmos que o próprio isolamento é para o cérebro uma fonte de stress, fica fácil entender por que as pessoas socialmente isoladas tem o sistema nervoso simpático-aquele que dispara as respostas ao stress-cronicamente hiperativo. Como a resposta crônica e intensa a vivências estressantes provoca hipertensão e leva à formação de placas nas artérias, essas pessoas tem de duas a cinco vezes mais riscos de sofrer de doenças cardíacas. No que talvez seja a descoberta da neurociência de maior impacto social da década, hoje sabemos como o contato social, na forma de abraços, beijos e toques, garante ao cérebro que você não está sozinho no mundo.