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26/11/2011 11h15

Implantação de Distrito Industrial de Santa Inês só depende das classes política e empresarial

Área onde será implantado o Distrito Industrial de Santa Inês

Pelo visto, a implantação do Distrito Industrial no Município de Santa Inês ainda precisa de alguns ingredientes indispensáveis para que isto de fato aconteça. Muitas são as opiniões sobre o que precisa ser feito para que o projeto de estruturação da área saia do papel e as empresas se instalem no local.

No meio empresarial a opinião é unânime de que a instalação do parque industrial impulsionará ainda mais a economia de Santa Inês, com geração de emprego e distribuição renda, fazendo com que o comércio local se fortaleça e o município se desenvolva.

Mas o que pode estar travando o processo de instalação do parque industrial pode está ligado a questões relacionadas à falta de vontade e divergências políticas, particularidades estas que se resumem a minorias e que se arrastam já por vários anos.

Nos últimos dias, a implantação do distrito industrial ganhou notoriedade e reacendeu a expectativa na população, uma vez que vereadores de Santa Inês estiveram recentemente na capital maranhense, onde se reuniram o titular da Secretaria Estadual de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, José Maurício de Macedo Santos, e ouviram dele que o Estado dispõe de capital para estruturação do distrito industrial do município.

Segundo consta, essa seria a primeira indústria a se instalar no parque industrial de Santa Inês, gerando milhares de empregos

Este jornal vem acompanhando todo esse processo que gira em torno da criação e implantação do distrito industrial em questão desde a disponibilização do terreno, que está localizado às margens da BR-222, sentido Santa Luzia, com uma área de 260 hectares, e aborda nesta edição o assunto ‘Distrito Industrial de Santa Inês’, que após instalado poderá atrair grande geração de divisas para todo o Vale do Pindaré e Maranhão Central.

POSICIONAMENTO DA ACSI
Ouvido pela reportagem acerca do assunto, o presidente da Associação Comercial de Santa Inês, Antonio Carlos de Oliveira Filho, diz que o principal problema com relação à implantação do Distrito Industrial é a falta de sintonia entre poderes constituídos.

Ele cita o distanciamento entre o Executivo, o Legislativo e a classe empresarial como um ponto negativo que em nada acrescenta. Muito pelo contrário, só complica ainda mais o processo.

Antonio Carlos disse que a Associação Comercial não foi informada e muito menos convidada a participar da reunião com representantes da Secretaria de Estado de Indústria e Comércio, realizada recentemente pelos vereadores locais.

Com relação ao Poder Executivo, Antonio Carlos explicou que desde quando assumiu a presidência da ACSI defende que os empresários tenham um canal de relacionamento com o poder público municipal e chegou até a sugerir que a classe empresarial indique um representante para a Secretaria Municipal de Indústria e Comércio, Pasta esta que se encontra inativa desde a exoneração do então secretário Manoel Ferreira da Silva.
Sob a visão de Antonio Carlos, com uma pessoa do meio empresarial credenciada a representar os interesses da classe, a implantação do distrito seguiria um roteiro correto e não ficaria pelo meio do caminho. “Enquanto a vontade e as diferenças políticas predominarem, fica difícil a criação do nosso distrito industrial, pois há tempos sabemos que o Governo do Estado tem recursos para a infraestrutura e a falta de sintonia está emperrando o processo”, sintetizou Antonio Carlos.

OPINIÃO DA PREFEITURA
A respeito da Secretaria Municipal de Comércio e Indústria, a reportagem do AGORA foi informada pela Chefia de Gabinete da Prefeitura de Santa Inês de que a Pasta realmente encontra-se sem secretário desde a exoneração de Manoel Ferreira da Silva.Para saber do posicionamento do prefeito Roberth Bringel com relação à instalação do Distrito Industrial de Santa Inês, o AGORA tentou contato na manhã de ontem, sexta-feira, porém foi informado de que o prefeito estaria em São Luís, participando de um encontro e não poderia atender à reportagem naquele momento. Porém, uma entrevista ficou de ser agendada para que o prefeito dê o seu posicionamento esta questão.

VEREADORES NA LUTA PELA IMPLANTAÇÃO DO DISTRITO
A implantação do Distrito Industrial voltou à tona nas sessões realizadas na Câmara Municipal e foi colocada em discussão pelos vereadores de Santa Inês. Eles, inclusive, criaram uma comissão para tratar do assunto junto à Secretaria Estadual de Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

Durante reunião do secretário estadual de Indústria e Comércio, vereadores ouviram que o Estado tem 18 milhões para implantação do Distrito Industrial

A comissão esteve recentemente na capital maranhense, onde reuniu com o secretário José Maurício de Macedo Santos e ouviu dele que a Secretária de Desenvolvimento, Indústria e Comércio dispõe de cerca de 18 milhões para efetuar as obras de infraestrutura do parque industrial.

Segundo os vereadores, o secretário José Maurício ficou de visitar o terreno onde será instalado o distrito e juntamente com uma equipe de técnicos que fará vistoria e definirá as prioridades para a implantação do parque industrial no município.

EX-VICE-PREFEITO OPINA
Profundo conhecedor da política local, o médico Gabriel Sousa, ex-vice-prefeito de Santa Inês, disse que o Distrito Industrial esteve para ser implantado na época do Governo do ex-prefeito Valdevino Cabral, de quem ele foi vice.

Gabriel contou para a reportagem do AGORA que a área para a implantação do “grandioso projeto para criação do parque industrial de Santa Inês” foi disponibilizada pela administração do prefeito Cabral. O ex-vice-prefeito recordou que quando Cabral comandava a Prefeitura, uma grande fábrica de cerveja veio propor a implantação de uma indústria aqui em Santa Inês, porém não logrou êxito.

O QUE REPRESENTA UM DISTRITO INDUSTRIAL
Só para se ter uma idéia, tendo como parâmetro essa indústria de cervejas seria instalada no parque industrial daqui, em 2002, ela inaugurou em Caxias (MA). Entre os anos de 2003 e 2009, a unidade cresceu em produção, geração de empregos e em arrecadação de ICMS, que apresentou incremento de mais 600% no período.

A renovação do Contrato do Programa de Incentivos do Maranhão foi assinada, com investimentos de cerca de R$ 120 milhões, a ser efetivado até 2014. O investimento previsto permitirá ampliar os atuais 2.240 empregos gerados, entre diretos, terceirizados e indiretos, para cerca de 3.000, um aumento de 34%.

O Grupo investe ainda em programas de responsabilidade socioambiental. É o caso, por exemplo, da substituição de óleo BPF (combustível fóssil) das caldeiras da unidade para casca de coco de babaçu (recurso natural renovável), o que contribui para o desenvolvimento econômico da população envolvida na coleta deste material.

Isso dá uma base do que Santa Inês deixou de ganhar somente na última década em recursos financeiros, além de toda uma gama que envolve projetos sócio-ambientais, parcerias na educação, saúde, entre outros.

Mas o que a classe empresarial e a sociedade esperam é que aqueles que podem transformar todos esses sonhos e projetos em realidade não atravanquem o progresso do município, e que todos reúnam esforço para fazer acontecer a implantação do Distrito Industrial em Santa Inês. (Magno Lima)