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28/03/2013 11h06

TRADIÇÃO - Na quaresma imagens de Santos da Igreja da Matriz são cobertos com manta roxa

 

Imagens da Igreja Matriz cobertas em tempo de quaresma
Seguindo a tradição católica, a Igreja da Matriz de Santa Inês, têm imagens dos santos no interior da igreja, cobertos com mantos roxos.
Segundo Padre Figueira, pároco da Matriz, as imagens dos santos, quadros e cruzes são cobertas por panos roxos porque  esse é um costume bastante antigo, segundo o qual as cruzes ficam cobertas até o final da liturgia da Sexta-Feira Santa e os quadros e outras imagens até a celebração da noite de Páscoa. “A Quaresma é um tempo que busca nos ligar inteiramente à conversão, através da dinâmica de oração, jejum e caridade. A cor roxa significa tempo de paixão, quaresma, o roxo também é usado em missa de 7° dia, advento, é cor de luto, a igreja silencia.", explica padre Figueira.
Na noite da paixão, o padre entra com a cruz coberta e em três momentos ela vai sendo descoberta. Finaliza Padre Figueira.
Por que a Igreja cobre os Santos na Semana Santa?
A tradição de cobrir os santos é muito antiga. Para entendê-la é preciso primeiro entender o que significam as imagens dos santos numa igreja. Quando entramos na Igreja e vemos as imagens, recordamos o mistério da Comunhão dos Santos: nós formamos com Eles, que já estão glorificados com Cristo Ressuscitado, a única Igreja que é Igreja Triunfante (que está nos céus), Igreja padecente (no Purgatório) e Igreja militante (nós na Terra). As imagens são, pois, uma mensagem de alegria: anunciam para nós essa consoladora e alegre verdade da fé de que estamos unidos à vitória daqueles que viveram antes de nós e – como nós – seguiram a Jesus.
Quando cobrimos os santos na quaresma e, sobretudo na Semana Santa, estamos querendo representar que, antes deles viverem o mistério da glória com Cristo, passaram pelo mistério da dor, dos sofrimentos e da morte de Jesus. Os santos não são cobertos como sinal de luto, mas sim como sinal do mistério de “solidariedade” e união profunda ao mistério da Paixão do Senhor.
As imagens são cobertas dando um ar “pensante” ao espaço litúrgico, nada alegre, pois agora é tempo de pensar na paixão do senhor. Isso fica ainda mais claro quando, no canto do Glória na Vigília Pascal vemos cair os panos roxos e volta a alegria pois, no lugar daquela cor pesada e triste, aparecem de novo as imagens coloridas e bonitas, sinais de quem venceu com Cristo, tendo passado pela sua cruz em união à Dele.
Cobrir e descobrir os santos, então, nos remete ao Mistério Pascal, que é mistério de morte e ressurreição, de sofrimento e de alegria, de perda e de vitória. Cobrir os santos é linguagem simbólica muito expressiva, que tem sido recuperada em muitas Comunidades Cristãs, que estão se conscientizando do valor e da necessidade do simbolismo na caminhada humana.