10/09/2011 12h56
A impunidade a serviço do escárnio da população
Costuma-se dizer que no Brasil a impunidade é irmã gêmea da criminalidade. O que gera além disso, uma repulsa e indignação por parte da população em geral. Quem estava no Ginásio João Cambinha na noite de terça-feira passada, onde se realizavam partidas de futsal de um campeonato promovido por um canal de televisão da cidade de Santa Inês, pode facilmente chegar a esses sentimentos que tal como traça, dizima e aniquila a esperança que se tem na Justiça, resguardando-se aí, o que de bom existe nela.
Na quadra estava, envergando a camisa do mais importante órgão público administrativo de Santa Inês, o assassino confesso (e condenado) do jovem Caco Cesarini, Patrick Dantas, como a escarnecer dos parentes de sua vítima e de dezenas de cidadãos que inadvertidamente ali se encontravam assistindo os jogos.
Tal elemento, a cerca de três anos assassinou covardemente a facada um jovem de apenas 25 anos em plena via pública com o testemunho de centenas de pessoas. Foi a julgamento ano passado, e, sabe-se lá porque, foi condenado a apenas 7 anos e meio de prisão (?) em regime semi-aberto (o que revoltou mais ainda a população de Santa Inês e os familiares da vítima), sendo que até o presente momento não cumpriu um dia sequer de tal prisão. Vive pelas ruas e bares da cidade, a desafiar a sociedade.
Porque está solto? Porque ainda não foi para Pedrinhas? São as “brechas” da Justiça, que o mantém livre e solto, ou a falta de empenho da própria Justiça para fazer justiça? Hipótese essa que preferimos não debitar a ela tamanho descompasso.
Mas não dá para não cobrarmos das autoridades, e principalmente de quem o colocou em quadra - mesmo acreditando que a maior autoridade da administração municipal não tenha conhecimento de tal fato – que alguém que já fez sofrer e acabou por destruir completamente ao menos duas famílias em Santa Inês – a de Caco Cesarini que foi morto e uma outra cujo membro foi esfaqueado pelo mesmo elemento – perfile-se em um campeonato de futsal usando a camisa do município, antes de pagar por seus crimes. O escárnio é um sofrimento a mais para quem já sofreu tanto, e não pode ser algo a serviço da impunidade em detrimento da população. Justiça, antes de tudo, ou em tudo!