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18/01/2012 12h44

Analista de sistemas confessa que foi contratado para matar a juíza Lucimary Castelo Branco

Juíza Lucimary Castelo Branco

A Polícia Civil da capital descobriu um plano para assassinar a juíza Lucimary Castelo Branco, titular do 6° Juizado Especial Cível, o que resultou na prisão preventiva do analista de sistemas Paulo Araújo Ferreira, acusado de ser o principal suspeito na execução do plano para matar a magistrada.

Além da juíza Lucimary Castelo Branco, o analista de sistemas afirmou que recebeu uma ordem para matar a tabeliã Ana Carolina Brasil Campos Maciel, do Cartório de São Mateus, e o tabelião substituto do Cartório de Maranhãozinho, que não teve sua  identidade revelada. As informações foram divulgadas na segunda-feira (16) no blog do Jornalista Itevaldo Júnior.

Em depoimento prestado na polícia, o suspeito contou que havia recebido as propostas da tabeliã Alice Ribeiro Brito, presidente da Associação dos Notários e Registrados do Maranhão (Anoreg), e do tabelião Luiz de França Belchior Silva Filho, do cartório de Maranhãozinho e respondendo pelo cartório do 3º Ofício de Notas da Capital.

Ele revelou também que as propostas para cometer os homicídios foram feitas no dia 7 de novembro do ano passado, durante um encontro realizado na praça de alimentação do Shopping do Automóvel, no bairro Calhau, no qual participou, além do analista de sistema, os dois principais suspeitos de serem os mandantes do assassinato: Alice Ribeiro Brito e Luiz de França Belchior Silva Filho.

Pagamento - Segundo Paulo Araújo Ferreira, ficou acordado que ele receberia R$ 10 mil que seriam pagos pela tabeliã Alice Ribeiro para assassinar a juíza Lucimary Castelo Branco e ainda R$ 10 mil pelo assassinato do tabelião substituto do Cartório de Maranhãozinho e outros R$ 25 mil para matar Ana Carolina Brasil. Esses dois últimos valores seriam pagos por Luiz de França Belchior Silva Filho.

No depoimento, ele contou ainda à policia que a decisão de assassinar Lucimary Castelo Branco seria porque ela, além de “interferir no concurso de notários”, queria o cartório do 1º Ofício de São José de Ribamar, que tem como titular Luciene Castelo Branco, mãe da magistrada. Já a morte de Ana Carolina Brasil ocorreria porque Luiz Belchior Filho queria ficar com o cartório do 3º Ofício de Notas da Capital, que também seria pretendido por Carol Brasil.A juíza Lucimary Castelo Branco é natural de Santa Inês, filha do casal Jurucey Santos, já falecido, e da ex-titular do cartório do 2º Ofício em Santa Inês, Luciene Campos Castelo Branco, é também sobrinha da juíza Florita Castelo Branco, do ex-diretor da 9ª Ciretran em Santa Inês, Juca Castelo Branco e da secretária de Ação Social de Santa Inês, Lindalva Castelo Branco.Ainda na segunda-feira, depois de preso e ouvido por vários delegados da capital, Paulo Araújo Ferreira negou que tenha sido contratado para assassinar a juíza e mais duas pessoas, afirmando que tudo não passara de imaginação de sua cabeça, mas a polícia não descarta a denuncia contra Paulo e segue investigando o caso. 

Em nota, a Corregedoria Geral de Justiça (CGJ) informou que já havia sido informada dos planos de execuções. O inquérito sobre o caso ainda está em andamento e as informações estão sendo repassadas ao corregedor-geral da Justiça, desembargador Cleones Cunha, que está acompanhando todos os fatos. A CGJ informou também que o corregedor apenas vai se pronunciar sobre o caso depois que todo o inquérito policial tiver sido concluído.Preso na segunda-feira.

TJ e governo intensificam medidas de segurança
O Tribunal de Justiça e o Governo do Estado, por meio da Secretaria da Segurança Pública, sinalizaram a assinatura de convênio com o objetivo de intensificar medidas de proteção a desembargadores e juízes de Direito, vítimas ou não de ameaças. A nova parceria enfatiza ações em caráter preventivo e prevê, inclusive, a oferta de cursos de defesa pessoal. O assunto voltou a ser discutido ontem pelo presidente do TJMA, desembargador Antonio Guerreiro Júnior, e o secretário Aluísio Mendes.

Durante visita ao Tribunal de Justiça, Mendes informou que, a pedido de Guerreiro Júnior, a juíza da Comarca de Santa Quitéria, Elaine Silva Carvalho - sob ameaça de ladrões de banco que tiveram prisão decretada por ela - terá reforço imediato na sua segurança. Um policial militar acompanhará a magistrada em tempo integral.

O anúncio do secretário fortalece decisão do presidente do TJMA, que esta semana indicou um sargento da sua guarda oficial para proteção da juíza. Ao tomar conhecimento das tentativas de intimidação de Elaile Carvalho, o presidente acionou a Secretaria de Segurança Pública e a Diretoria de Segurança Institucional do Tribunal, que mobilizou efetivo para acompanhar as investigações sobre o caso em Santa Quitéria (a 410 km de São Luís).

Aluísio Mendes deu ênfase ainda a convênio entre o Poder Judiciário e o Governo, que permitiu a militares da reserva atuarem na segurança dos fóruns. “Vamos acelerar o objeto do convênio, reforçando o efetivo de vigilância nos fóruns das comarcas do interior e garantindo continuidade de treinamento aos policiais destacados”, anunciou.

Guerreiro Júnior recebeu com entusiasmo a ajuda do Governo e da Secretaria de Segurança, contudo garantiu que o Tribunal vai continuar investindo em iniciativas de proteção a magistrados e fóruns.

Elaine Silva Carvalho passou a receber ameaças após decretar a prisão do vereador Valdimar Carvalho dos Santos, o Mosquito, e do ex-segurança do prefeito - ambos envolvidos em assalto a uma agência bancária local, em fevereiro de 2011, e presos no Complexo Penitenciário de Pedrinhas. As ameaças foram denunciadas por policiais que transportavam em viatura os dois assaltantes e presenciaram quando discutiam o assunto.(Com informações do blog do Jornalista Itevaldo Júnior, do Imirante e da redação do AGORA)