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O Brasil é um dos campeões mundiais no consumo de medicamentos que combatem a ansiedade e a depressão. Os remédios de tarja preta só poderiam ser vendidos com receita médica, mas nem sempre isso acontece.
01/02/2012 13h08
Jornal Hoje veicula matéria sobre venda de medicamentos controlados sem receita médica no Maranhão
O Brasil é um dos campeões mundiais no consumo de medicamentos que combatem a ansiedade e a depressão. Os remédios de tarja preta só poderiam ser vendidos com receita médica, mas nem sempre isso acontece.
Com uma câmera escondida, a equipe do Jornal Hoje foi a uma drogaria de São Luís e, sem receita médica, comprou duas caixas de um dos remédios mais usados para controlar a ansiedade. Até em uma loja de produtos de higiene conseguimos comprar os medicamentos de venda controlada sem receita. A atendente chega a indicar um remédio.
Procurada pela nossa equipe, a mulher negou a venda. O remédio que compramos dela tem a venda proibida no comércio. Segundo a Vigilância Sanitária, o medicamento pode ter sido desviado de algum programa do governo.
“Hoje nós temos um sistema chamado SBGPC - Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados. A porta de entrada é nota fiscal e a saída, a notificação de receita. Dessa forma, nós temos como controlar tudo aquilo que é feito legalmente, mas isso aqui é uma prática ilegal. Com certeza isso aqui é oriundo de carga roubada, por exemplo”, explica Paulo Jess, da Vigilância Sanitária do MA.
Um levantamento divulgado neste mês pela Agencia Nacional de Vigilância Sanitária, revela que remédios usados para controlar a ansiedade e a tensão foram os mais vendidos no país nos últimos três anos. Só no ano passado, foram 10 milhões e meio de caixas comercializadas em todo o Brasil. Os especialistas vêem esses números com preocupação. Muitos pacientes acabam viciados nesses medicamentos e mesmo quando terminam o tratamento continuam usando os remédios.
O psiquiatra Ruy Palhano diz que esses medicamentos viciam rapidamente. “Além da dependência química você começa a condicionar sua vida a partir da medicação. Não sai mais sem tomar remédio, não dorme sem tomar remédio, não tem relações sociais sem medicamentos”.
Todos os medicamentos comprados pela reportagem foram entregues a Vigilância Sanitária que, neste momento, faz uma fiscalização nas farmácias. Uma delas foi fechada agora há pouco.
A Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico disse que as farmácias que vendem sem a receita médica são minoria e reafirmou e que isso é crime que deve ser combatido pela Vigilância Sanitária.