/Língua Afiada
11/06/2011 10h50

É sempre mais FELIZ quem AMA!

Embalados pelo clima do “Dia dos Namorados”, permitimo-nos brincar de escribinha “pigoito-romântico-poético-fazedor de lero-lero”.
Mas a força da iniciativa e a essência desta crônica é a mais pura prova de nossa límpida e honesta vontade de revitalizar o amor entre nós!
Pois bem. O amor bem se parece com o curso do dia. Ao nascer, é risonho e festivo. Tudo canta alegria. Tudo são melodias. Tudo se borda de “rosicler” e se banha de perfume.
Mas com o andar das horas, o dia se vai inundando de luz, se vai invadindo de claridades, se vai esquentando de calor, se vai movimentando em trabalho na caminhada exaustiva de sua jornada, para declinar ao depois, nas tardes calmas e meditativas e, enfim, morrer num êxtase de saudade (nos arredores do ocaso).
Assim também nasce, cresce , vive e se finda o amor no coração das pessoas.
Querem ver? Acompanhamos um par de noivos ao pé do altar. Seus corações só falam de amor. Seus lábios só revelam sabores de amor. Ali estão exatamente anestesiados pelo néctar do amor que os envolveu, que os embriagou. Mas se procurarmos sentir as pulsações ofegantes dos seus corações, sentiremos um infinito de apreensões, de temores, de angústias que descompassam seus nervos, que cobrem de lágrimas os seus olhos, que revestem de tristeza a moldura dos seus rostos.
É que o amor é irmão siamês da responsabilidade. É filho legítimo da renúncia, do sacrifício, da doação pessoal.
No calvário, se escreveu o mais belo poema de Amor que a história conhece. Amor banhado com o sangue do Filho de DEUS e com as lágrimas de Maria Santíssima. O amor que não toma estas vestiduras não vive a plenitude e a eternidade das suas potencialidades. E Jesus deu sua própria vida por amor à humanidade.
Querem mais? A própria natureza que nos cerca oferece o testemunho de amor, através da imolação, do sacrifício. Tomemos uma semente: toda ela está grávida de vitalidade, de energia, de amor, mas esse potencial energético só atinge o seu auge quando ela é plantada no coração da terra, aquecida com o calor do sol e regada com as águas das chuvas. Aí, aquela pequenina semente se sacrifica... E morre, para ressuscitar na grandeza da planta (que nasce, que cresce, que se esgalha, que frondeja, e que se invade de frutos).
Mais um exemplo: o grão de incenso só se transforma em perfume quando se queima na pira do turíbulo (recipiente onde é queimado), para transformar-se em espirais de aromas que se rumam para os céus.
Ora, se é o amor que une os corações, quem eterniza esta união é o sofrimento, é a dor, são as lágrimas!
Então, quem não chora pela pessoa amada é pequeno, é mesquinho. Os grandes homens choram por um grande amor, seja por um amor fracassado, por um amor que se foi... Por um amor que se veio... Abrindo o seu coração amoroso, deixando as lágrimas transbordarem espontaneamente, com a originalidade de seus sentimentos fortes e incontidos.
É vergonhoso esconder, guardar ou sufocar as lágrimas pela pessoa que se ama. Particularmente, confessamos que já choramos por amor. Também confessamos nossa convicção de que sempre valeu e valerá este sentimento.
Da mesma forma, temos absoluta certeza que já amamos, amamos demais... Infinitamente demais...
... E fomos, reciprocamente, amados. Porém, afirmamos com conhecimento de causa: É SEMPRE MAIS FELIZ QUEM AMA!