28/05/2011 12h57 - Atualizada em 28/05/2011 13h00
A Bola tá rolando no Jogo da vez

A bola começa a rolar, milhões de corações angustiados roem unhas, cruzam os dedos, balançam as pernas... Batucam na mesa.
A cada minuto que passa a angústia aumenta, as unhas diminuem, os dedos não se desgrudam, as pernas cansam... E a mesa? Coitadinha, quase quebra de tanto ser “batucada”.
Olhos atentos, alguém tenta conversar, mas já o mandam fechar a matraca. “Vai... Vai!”, gritam todos. E quando o atacante chuta pra fora... “UHHHHHHHHHHHHHHH... que burro! Esse até eu fazia!”.
O narrador, também ansioso para ver brilhar a estrela, entra no clima e transporta sentimento em sua fala. E os comentaristas influenciam os angustiados a terem uma opinião formada, ou então, a xingá-lo. “Esse cara não sabe nada! Ele não tá no 4-4-2, ele tá é no 4-4-3”.
Os sons das cornetas não param na TV e o ouvido não agüenta mais, a comida já está quase pronta. “Ô Marlene, tá pronto o cachorro? Não, não é o Yusk, é o cachorro quente! Rápido, o jogo tá quase acabando... e dessas cornetas já tô de saco cheio!”. O fim está próximo.
Todos ainda na pressão, observando e se concentrando na telinha ou telona mágica. Alguns com fantasias, óculos coloridos, chapéus diferentes. Outros não tão empolgados, com a camisa do time no bolso, pensando apenas na bolsa (de valores) ou na idiotice daqueles que veneram um esporte e matam ou morrem, literalmente, pelo seu time.
Mal sabem eles, que esporte não é diversão, é guerra. É o instinto competitivo de nosso lado animal. São pessoas tentando mostrar sua superioridade muscular ou de raciocínio (há os que preferem fazer caretas!).
E o juiz? Figura paradoxal. Para os que se sentem roubados, é um “FDP”, Desgraçado, “PNC”. Já para os torcedores do outro time, um santo, um ótimo profissional... Quase um “deus”.
E assim o tempo vai passando... Os nervos do corpo se contorcendo, os copos, coitados, se quebrando... E o coração batendo cada vez mais rápido.
Um grito fica guardado dentro do corpo, os líquidos vazam pra fora dos copos. Todos querendo soltá-lo, o grito, o mais rápido possível, mas “o time não tá ajudando, os ‘caras’ não tão jogando nada!”.
E assim, sempre assim, nosso mundo verde e amarelo vai passando e o nosso “patriotismo futebolístico” crescendo a cada novo confronto, a cada nova competição de rua, de bairro, de várzea, municipal, estadual, regional, nacional, continental, intercontinental, mundial... Ufa!
Porém, o coração de um apaixonado por futebol sempre gostará de guardar a angustia no peito e de soltar o grito da garganta. Não por sua rua, bairro, cidade, estado ou país... Mas, agora, por seu time!
É o campeonato brasileiro de futebol. É O BRASILEIRÃO 2011!
No mais, tudo igual: políticos fazendo promessas, promessas não sendo cumpridas... Voto não sendo honrado, povo sendo enganado... Economia crescendo, de fome pessoas morrendo... Dinheiro público no além, igualdade de direitos também... Porém, porém, porém tanto faz!
O importante mesmo é gritar: Eh campeão, Eh campeão, Eh campeão!
Em tempo: o Departamento de Trânsito adverte – Cuidado, carroças desembestadas na pista (ops, no gramado). Quanto aos bondes descarrilados por falta de freios... Bem, já receberam alta da retífica “São Geraaaldo” e estão buscando reforços numa fábrica de pastilhas (de freios) lá no Ceará.