22/10/2011 15h35
Adolescência precoce, infância roubada.
Como as coisas mudam rapidamente, hein!
Então, e ainda aproveitando o embalo do “Dia das Crianças”, vamos abordar uma brincadeira muita séria: meninas se comportando como mulheres adultas e garotos pequenos falando de sexo com uma desenvoltura surpreendente. Estas são cenas mais do que comuns hoje em dia (aliás, há muito tempo!).
A adolescência tem se adiantado através das gerações. Mas esta precocidade tem um preço: uma fatia da infância roubada.
Hoje se fala muito em adolescência precoce. Mas a principal causa de toda essa discussão é mesmo a mudança de comportamento. Uma exemplo? As meninas que, há uma década antes, brincavam de boneca até os 12 aos, agora se vêem muito cedo estimuladas a agir feito mulher formada, antes mesmo de qualquer sinal de adolescência.
É verdade. As transformações que inauguram a adolescência começam aos 10 anos aproximadamente. Alguns pais, hoje em dia, levam uma vida mais independente (querem ir à luta, trabalham mais) e por isso, muitas vezes, apressam o crescimento dos filhos, para que eles saibam se virar sozinhos mais rápido.
O mundo infantil, protegido pela fantasia e pela imaginação, está sendo violentado por um excesso de responsabilidades que não pertencem a esta época da vida. Quando isso acontece, queimam-se etapas necessárias a um crescimento natural. Ora, uma criança, para aprender a andar (por exemplo), precisa antes sentar e engatinhar. Sendo obrigada a ser adolescente antes da hora, estará sendo roubada no seu próprio tempo!
A televisão, a publicidade, os heróis sensuais, as novelas e os filmes recheados de cenas imorais, por exemplo, são grandes motores desta precocidade. E se é impossível frear a velocidade da informação que invade a “telinha” de casa (antes de qualquer conselho), este ingresso das crianças no mundo adulto dificilmente trará consequências positivas.
Os chamados “pais modernos” criam seus filhos na filosofia do “pode tudo” (já que alguns deles viveram uma explosão de valores). O que mais se observa é que estes pais “liberais” problematizam o adolescente, não dão regras e nem estipulam horários, por exemplo. E isso faz com que muito cedo a criança tenha responsabilidades pesadas demais e amadureça antes do tempo.
Outro fator que contribui para isto é o grande número de separações de pais, o que, muitas vezes, faz com que as crianças tenham que cuidar de si mesmas mais cedo do que o previsto por sua natureza (levando-as a assumir e “dirigir” suas vidas antes do devido tempo).
É preciso estabelecer alguns limites. Afinal, cada atitude tem a sua hora e adolescência é uma caminhada longa, que não precisa ser antecipada. E a infância, cada vez mais curta, talvez mereça ser mais protegida.
É necessário mais respeito com o tempo de ser criança. Quem teve uma infância feliz (e na medida certa), provavelmente concordará comigo... Ou não me tachará de cafona, conservador ou ultrapassado!