/Língua Afiada
08/10/2011 12h38

AINDA AS QUESTÕES DE TRÂNSITO

Não é necessário ser especialista em nadica de nada para perceber que os problemas do trânsito aumentam dia após dia.

Não é necessário nem mesmo ter carro. Basta andar por aí, a pé mesmo! De moto, de ônibus, de taxi... Cada vez pior, cada vez mais lento, cada vez mais estressante... Cada vez mais violento.

E todo dia, todo mundo reclama: precisamos de mais ruas; precisamos de ruas mais largas; precisamos de avenidas, viadutos, pontes... E estacionamentos, e policiais, e agentes de trânsito, e campanhas contra a violência...

... E precisamos mesmo. Evidente que sim! Mas será que precisamos continuar pensando sempre nas mesmas e óbvias soluções e permanecer “rodando” em torno do problema sem criar novas concepções, fazendo do senso comum a única possibilidade de abordagem? Será? Será?

Antes de mais nada... Mais uma perguntinha: por que o trânsito piora a cada dia? Eis a resposta mais do que óbvia: porque existem mais veículos circulando, ué!

E essa resposta nos leva à conclusão, clarividente, de que há mais gente comprando carros e motos (Eureka!).

Esta conclusão, por sua vez, nos remete a mais uma pergunta: e por que as pessoas compram carros e motos?

Ora, ora... Por muitas razões: porque esses bens estão mais acessíveis, porque não temos transporte urbano eficiente, porque esses bens nos são úteis...

Estimativas indicam que a frota de carros em cidades médias brasileiras crescem em torno de 40% ao ano. E não haverá pontes, ruas, avenidas e passarelas para pedestres que dêem conta desse aumento do fluxo de veículos, se não houver a mudança de atitudes, a tão propalada “quebra de paradigmas”.

Aaaah... Problemas e mais problemas, novamente? Basta! Vamos passear um pouco: Gilbert Durand mostra que um dos grandes sonhos do homem é ter uma “casa individual”, que o leve com segurança para cá e para lá. E isso seria o que torna os carros objetos tão íntimos de nós.

Haveria até algumas explicações: eles são a nossa “casa com rodas”; eles são nosso “lar móvel”; eles nos dão a possibilidade de sermos o que nós queremos ser (indivíduos livres, prontos para estar em qualquer lugar com rapidez e com uma “armadura” protetora que nos ampare das intempéries, do tempo... dos flanelinhas).

Por isso queremos sempre carros mais velozes, para sermos mais corredores e atingirmos mais rapidamente nossos desejos (fugindo o mais breve possível de nossas angústias). Por isso tantos querem carrões cada vez maiores, para se sentirem mais protegidos, mais potentes.
Na realidade, o “status” é isso mesmo: a sensação de se sentir mais poderoso, melhor, mais forte que o outro. E só se é mais poderoso quando se tem uma carapaça maior, mais forte, mais rígida.

E para atender a esse desejo humano, há uma estrutura muito bem montada e que se utiliza de mecanismos emocionais que nos impelem, a todos, a sentir a necessidade ou o desejo de possuir um carro.

Verdade verdadeira! Toda a estrutura econômica movimentada por essa indústria é baseada na emoção, no desejo, no inconsciente... que se traveste de razão, de utilidade, de economia, de praticidade. E uma das principais estratégias da razão é se vestir de lógica para emocionar o outro.

Hã? Passeamos... Ou divagamos?
Ah tá. Então, o que fazer para minizarmos os problemas do trânsito? É possível pensar em algo que vá além de pontes e viadutos? Ruas e avenidas? Este cronistinha de pouca tinta (agora metido a pensador) ainda não sabe...

E quem saberá? Vamos pensar... aliás, vamos encomendar mais uma pesquisa ao “IPVOP Institutinho de Pouca Voz de Opinião Popular”. Noutra oportunidade... Poderemos voltar ao assunto.