07/01/2012 11h10
Ano Novo, Promessas Vãs
Quanto já se escreveu sobre os anos que se despedem e sobre os anos que chegam sorrateiros, de forma matreira, manhosa ou astuta?
E quantos já escreveram?
Este cronistinha de pouca tinta está no rol dos que se desnudaram ante o Ano Novo, muitas e muitas vezes.
Por tudo isto, diante do 2012 que começa a mostrar a sua cara, resolvi nada escrever.
Preguiça, indolência, desânimo? Não!
Descrença de que possa dizer o indizível.
Solução: naveguei nas águas nem sempre límpidas da internet.
Recolhi material extraído do blog do músico, escritor e compositor da banda de rock “Titãs”, que aí vai com pinceladas de adaptação...
Não passar o ano inteiro repetindo: “Nossa, como esse ano está passando rápido!”.
Não exclamar a cada chuva, temporal, frio, calor ou vento repentino: “O tempo está maluco!”.
Não usar a expressão “no meu tempo” para justificar a incapacidade de adaptação ao presente.
Não responder a perguntas com frases e palavras mecânicas, que se pronunciam sem saber por que: “sem dúvida”, “exatamente”, “justamente”, “perfeitamente”, “se Deus quiser”, etc. etc. etc.
Não enxertar palavras em inglês em frases prosaicas, como se fosse a coisa mais natural do mundo: “Essa lua está me dando um insight...”, “estou com overdose do Fluminense...”, “As crianças estão no playground, por que não vamos para o living?”...
Perder uns dois quilinhos.
Não rir dos portugueses por chamarem mouse de rato, uma vez que mouse, efetivamente, é rato!
Decorar as datas de aniversário do pai e da mãe.
Mandar de volta á escola o pessoal do gerúndio: “Estaremos voltando às aulas de português, onde estaremos aprendendo que estaremos podendo falar bem melhor. Vocês estarão perdendo por estarem esperando”.
Evitar certezas. E nem confiar em quem afirma que as têm.
Não achar plausível que, num calor de 40 graus, senhores em busca de um reforço no orçamento doméstico se derretam em suor sob roupas ridículas de Papai Noel, imersos em neve de algodão, num país tropical no auge do verão.
Não comemorar o “Halloween”.
Parar de rir quando a TV mostrar políticos fanfarrões enfiando dinheiro público nas meias.
Começar a chorar quando a TV mostrar políticos fanfarrões enfiando dinheiro público nas meias.
Não assistir ao Big Brother Brasil. Nem ao horário eleitoral gratuito.
Desconfiar de promessas feitas no primeiro dia do ano.
Por fim, é importante que cada um de nós exercite suportar as dores do cotidiano sem se queixar (É importante lembrar que a esperança suporta qualquer contingência).
Promessas... Vãs promessas para um Novo Ano.