/Língua Afiada
23/07/2011 10h10

BRASIL, o País do Futebol (ops, não seria do SAMBA?)

Não! Garanto que não vou mexer no episódio da desclassificação da seleção brasileira de futebol masculino, nas quartas de final da Copa América deste ano.

Também, não vou arriscar a meter o meu “bedelhinho” (ou melhor, o meu pequenino pezinho de anjo, pontuação 37) naquele polêmico, profundo, obscuro e cheio de areia buraco da marca do pênalti do estádio de La Plata!

Vamos lá então leitor!

Sobre a ideia de o Brasil ser a nação do futebol, pensei, pesquisei (sem recorrer ao “IPVOP”), filosofei... E cheguei à conclusão de que isso acontece, talvez, por causa de nossa carência intelectual.

Na verdade, esse cronistinha de pouca tinta (agora se achando cronista desportivo) não acredita que somos o país do futebol. Aliás, nunca acreditei que somos o lugar de coisa alguma que não seja corrupção, enrolação, burocracia, analfabetismo, preconceito... Enfim, a terra da hipocrisia.

Calma! Temos muitas pessoas boas. E coisas boas também! Mas, infelizmente, isso não vai para a grande mídia.

Falo isso porque concomitante à disputa da Copa América (ainda em andamento e sem o nosso selecionado de “tropeçadores em buracos”) tivemos a realização da Copa do Mundo de futebol feminino (esta já encerrada, cujas grandes campeãs foram as japonesas).

Pois bem. Talvez por ser tal categoria, não vi o povo do “país do futebol” vibrar, gritar, torcer e nem chorar pela nossa seleção como fazem nas competições de futebol masculino. Pelo menos com a mesma garra que deveria ter uma “torcida” do país do futebol!

Também não vi os narradores (alguns muito eufóricos) narrando a partida das meninas, como fazem com a dos homens. E aí a “nação” do futebol não enfeitou as ruas, não comprou camisas da seleção com o nome da Marta e das outras craques. Por quê? Por que eram mulheres? Por que não são milionárias?

É. Não é fácil não! Acorda para a vida Brasil (hipócrita?, machista?)!

Na verdade, talvez a estória de “país do futebol” prolifere por falta de leitura. Explico-me: onde não existe o hábito de ler (ou reina pouco entendimento do que está acontecendo e como as coisas ocorrem), os “espertalhões” do mundo tiram proveito (dessas pessoas e dessas situações9. Um exemplo fora do esporte é o dos fornecedores de entorpecentes a adolescentes: se o jovem for um ser “tolo”, “estúpido”, carente intelectualmente, com certeza cairá no papo desse indivíduo espertalhão, pois esses jovens mais desatentos, com carência, são presas fáceis nessas armadilhas.

Na mesma linha de raciocínio, parece-me que o povo brasileiro não está muito atento à sua história com “H” não. Penso que quando foi proclamada a República no Brasil em1889, as oligarquias que tomaram o poder nunca tiveram (e hoje a elite não tem também) um verdadeiro projeto de nação para este país, para este povo (ou seja, a nossa República teria sido proclamada de cima para baixo).

Resultado: os sagazes percebem a fraqueza intelectual dos ingênuos, ou seja, “descobrem” que no Brasil não conseguimos ter um mínimo de entendimento do que seja uma nação. E isso é fácil de perceber no nosso comportamento pueril. Por exemplo, quando a elite está fora do país somente procura (de todas as formas) dizer que é brasileira quando identifica algo que lembre essa maravilhosa terra. Já quando esta mesma elite está aqui (vivenciando, pessoalmente, os malefícios que nos afligem), tenta de toda forma dizer que tem uma “origem” estrangeira, para não se identificar com a pobreza, com a cor, com o jeito do povo brasileiro. Quanta diversidade de postura!

Pois é. Percebendo essa nossa fraqueza, os perspicazes do futebol criaram para nós um sentimento de nação que só se manifesta em Copas do Mundo de futebol (masculino!). Percebe?

Visto assim, não somos uma NAÇÃO. Aí está, apenas, o bem desenhado “país do futebol”.

E foram mais longe: para dominar e convencer os desatentos, chegaram a criar até torcidas com apelidos do tipo: nação tal; nação tal; nação tal...
Creio, na verdade, que a Inglaterra seja o país do futebol!

Nós criamos foi o SAMBA!