/Língua Afiada
17/06/2011 16h32

Ei, (não) estamos perdidos!

Hoje é muito comum encontrarmos as pessoas reclamando da violência, das catástrofes e das muitas coisas do cotidiano. Essa postura quase generalizada produz danos ao chamado inconsciente coletivo e pode levar os indivíduos ao pessimismo e até a depressão, com sérios prejuízos para o desempenho pessoal e do conjunto.
O fenômeno deve ser cuidadosamente analisado para que, em vez de nos prejudicar, dele podermos tirar proveito.
Essa “sensação catastrófica” vem de diversas variáveis. Exemplos: o Brasil mais que dobrou a população nos últimos 40 anos. Outras nações “em desenvolvimento” também tiveram altas taxas de crescimento populacional, justificando o aumento proporcional das ocorrências boas e más.
Mas o avanço da tecnologia e das comunicações (satélites, TVs e rádios em rede, Internet, telefones celulares, jornais, revistas e outros) transformaram o mundo na chamada “aldeia global”, onde se assiste em tempo real aos acontecimentos de todo o planeta.
A geração que viveu sua infância e juventude nos anos 50 e 60 (tô fora, viu?), ainda lembra que naquela época, quando a família estava com boa situação econômica, o máximo que havia em casa era um rádio a válvula, um televisor preto-e-branco e um telefone que levava horas para completar uma ligação interurbana. Só a partir dos 60 é que foram surgindo os rádios de pilha, os satélites de comunicação, a TV em cores e tudo o mais.
Naquele tempo, para se assistir ao concurso de miss universo (coqueluche da época, em que brasileiras participavam) era preciso esperar de um dia para outro, porque os “vídeos-tapes” eram trazidos pela antiga Varig, em vôos que demoravam pelo menos 12 horas, quando não atrasavam. Diferente do que ocorreu na Guerra do Golfo, em 1990, cujos ataques o mundo assistiu ao vivo, pela televisão.
É, nos chamados “anos dourados”, a propagação de uma informação demorava dias e muitas delas não passavam do âmbito regional. Logo, as catástrofes também existiam, mas não havia a cobertura jornalística imediata e abundante de que hoje o mundo dispõe.
A tecnologia é sempre bem-vinda. Sua chegada, no entanto, pode provocar dificuldades que a própria sociedade tem a obrigação de resolver. Essa “sinistrose” que observamos na população é um efeito colateral que precisa ser devidamente contextualizado. Catástrofes e desgraças existem desde que o mundo é mundo, mas durante séculos ficaram restritas ao ângulo visual. Hoje, com os potentes meios de comunicação, ganham exposição mundial. Essa é uma verdade de que a população tem de ser alertada!
Todo indivíduo tem de ser preparado para receber tudo de bom que a comunicação abundante pode oferecer: informação, cultura, educação, orientação de saúde e segurança, entretenimento, etc.
O quadro das catástrofes e coisas ruins existe, mas é apenas um entre tantos outros que compõem o mosaico das nossas vidas.
Afinal, (não) estamos perdidos!