09/07/2011 09h57
“Nós sabe mermo falá”?
Alguém, além deste cronistinha de pouco tinta metido a escritor, não ficou estarrecido ao se deparar com a notícia de que o Ministério da Educação adotou o livro “Por uma vida melhor” (da coleção “Viver, aprender”), contendo erros absurdos de concordâncias?
Eu? Achei normal!
Por que levar alguém ao túmulo somente por isso? Afinal de contas, o que nossos estudantes têm aprendido nas escolas? Quem são seus professores? Quais as suas qualificações?
Calma, nada de generalizar! É notório que temos excelentes escolas, dotadas com exemplares estruturas didático-pedagógicas e capitaneadas por exemplares mestres, sim senhor!
Pois bem. As digníssimas e competentes autoras da bancarrota literária citada acima querem, com espíritos magistrais de quem também não aprenderam a escrever (e muito menos falar), que a língua portuguesa vá para os diabos que a carregue. E mais: que isso (essa coisa de ensinar errado) faz parte da ”norma popular da língua portuguesa” (palavras delas!).
Como é que é?
“Norma popular da língua portuguesa”? Agora o circo está completo. Quer dizer que as nossas criancinhas do ensino fundamental irão medir a sua sabedoria ilustrando frases que dizem simplesmente porcaria alguma, quando o sentido do que está querendo mostrar, já foi pro “beleléu”?
Ah não, me venda outra!
Bem, mas por que falei que este cronistinha não ficou estarrecido com aquela notícia? Explico: conheço professora que o que mais sabe fazer é falar errado. Esse negócio de não falar o plural (“as coisa”, “os meus aluno”); de não obedecer concordância (“tinha três”, “nós vai”); de inventar feminino de palavras que não variam (“menos”); de colocar o pronome obliquo na frente do verbo (“para mim fazer”) ... Isso, pra ela, é a coisa mais natural do mundo!
Acredito até que essa professora deve ter alguma parceria com as autoras do livro acima citado. Sim, porque a expressiva e grosseira falta de concordância constante naquela “obra” (cujas “obreiras” mais sujaram do que explicaram) só podia ter partido de algumas “autodidatas”, (como tantas e tantas país afora).
E fico aqui, perguntando para os meus botões: o que será dos nossos filhos? Quão falantes serão eles?
E já imagino o filho da professorinha escrevendo uma redação sobre as férias, depois que terminou seus estudos e aprendeu as novas regras gramaticais: “Eu e meus amigo, ‘nóis foi’ pra ‘fasenda’. Mas lá ‘nóis não tomou’ banho de açude porque ele tava sem água. As férias na ‘fasenda’ da minha vó foi belezura, ta ligado? ‘Menos’ pra minha mãe que é professora e tava dando aula de ‘purtuguês”.
Que DEUS nos ensine e guarde!
E depois do zum-zum-zum sobre essa história do livro, uma das autoras foi se explicar: “Não somos irresponsáveis”, disse. Também acho. Irresponsáveis são as autoridades que aprovam essa baboseira para ser adotada em sala de aula. Irresponsável é a editora que aceita uma esculhambação desse tamanho para com a nossa língua falada, e certamente escrita. E, por fim, alguns professores que ensinam dessa forma!
Tem nada não! Se esse livro não chegar a ser adotado definitivamente, muita gente não vai precisar de lição maior do que certas amizades. No final das contas, se uma professora não sabe falar, não será um aluno seu que vai deixar de dizer: ”Nóis aprendeu e nós sabe falá”.
Nós sabemos mesmo falar?