20/05/2011 23h01
Novos tempos, belos (?) um dia
Os homens desconfiam e a mulherada até parece concordar. De uma coisa tenho certeza: o metrossexual está na moda.
Para quem ficou curioso e ainda não sabe, “metrossexual” é o sujeito que incorpora vaidades antes ditas femininas: faz maquiagem, pinta as unhas e até se depila!
Machões tradicionais torcem o nariz para esse “novo” homem. Diante da foto do artilheiro inglês David Beckham (“patrono” dos metrossexuais) com as unhas pintadíssimas, um amigo comentou: - Acho que esse inglês... Não sei não hein!
Quisera ele estar no lugar do inglês, com todas aquelas mulheres se arrastando a seus pés! Só não gosto do nome: metrossexual.
Muita calma nessa hora, gente! A vaidade masculina nada tem a ver com a sua sexualidade, e sim com a história. Na época do rei francês Luís XIV, os homens andavam de malhas agarradinhas e coloridíssimas, enfeitavam-se com jóias e competiam com as marquesas no quesito.
Muito mais tarde os machos da espécie passaram a usar roupa severa, enquanto as fêmeas ganharam o direito de cintilar. E entre os animais? Os machos são os que se exibem, a começar pelo pavão ostentando o seu rabo (ops, a sua cauda!).
Na realidade, os metrossexuais só exercem o direito que lhes foi dado pela mamãe natureza. Uma jovem comentou outro dia: - Esse negócio da mulherada ter de agüentar chulé, barba de urso e frieira, já era!
Hoje em dia, nas baladas, as minas mais maravilhosas só “pegam” os caras com os melhores cortes de cabelos e boas roupas. - Quando eu cheiro no cangote quero sentir um perfume do bom. Não tem coisa melhor do que cheirar o pescoço do gato! (revela outra garota).
É... Os tempos mudaram!
Vi homem de unha pintada pela primeira vez há duas décadas. Era uma festa à fantasia (em Catarina, interior de Piracuruca). Havia um senhor vestido normalmente e a sua namorada mostrou suas mãos: - Olhe a fantasia dele. Unhas vermelhas! Era estranhíssimo (parecia mais traje de vampiro ou lobisomem).
Depois veio a moda dos brincos. Atualmente (aliás, há muito tempo!) até os garotinhos furam as orelhas. No começo era um escândalo!
Não faz muito tempo, vi um artista (ator teatral) de sandálias com as unhas dos pés pintadas de preto (levei um susto!). Numa festa aqui pelas “beiras do rio Tocantins”, topei com certo jovem da sociedade local maquiado até as orelhas. Comecei até a achar normal. Por delicadeza, não comentei com ninguém, embora os seus lábios rubros como morangos estivessem um tanto exagerados (pareciam os poucos sobreviventes do desastre com o “Bonde sem Freio”).
E se isso se generaliza? Preocupante sinal dos tempos!
Já vi homem de olho pintado (com alguma discrição, mas pintado). Outro dia encontrei outro jovem conhecido daqui desses “lados tocantinos”: - Tingiu o cabelo amigo? Perguntei baixinho e com muito tato... – Nãaaooo, só fiz luzes! Sorriu ele.
O quê? Se “aquilo” eram só luzes, ele devia ser sócio majoritário e remido da companhia energética! A cabeça do cara brilhava mais do que um poste!
Francamente, embora sem nenhuma gotinha de sangue de preconceito, não gosto de tudo que a tendência desencadeia.
Depilar, por exemplo. Durante séculos os homens se livraram da tortura da cera. E agora, vão ter de encarar? Pintar as unhas vai se tornar obrigatório? E os que roem as unhas como eu? Esmalte tem sabor? Há os que usam cabelo curtíssimo (como eu) simplesmente porque só têm o trabalho de passar a mão. Imagine se tivessem que ficar diante do espelho repondo a maquiagem, além de retocando os olhos? Não “mermão”!
Reconheço que os metrossexuais são conseqüência da evolução dos tempos. Poderíamos dizer que são nuances do progresso? As mulheres sempre tiveram mil dispositivos para continuarem atraentes, não importando a idade: tinturas, bases, cremes, cílios postiços, sobrancelhas pintadas. Já os homens tinham de se conformar com os cabelos brancos e a cara de uva-passa. Nada mais!
Hoje senhores de cabelos pintados fazem parte da paisagem. Mas o que mais me preocupa é o exagero! Pintar de castanho escuro ou preto os cabelos que originalmente eram dessas cores, tudo bem (até eu estou pensando nisso). Só uma pequena advertência: “acaju”, NUNCA! Se o progresso está acenando com a liberdade de se sumir com os brancos, que essa liberdade seja usada com juízo, jamais para ser motivo de chacota dos gozadores.
Cautela, metrossexuais!