/Língua Afiada
30/04/2011 11h28

O bullyng, a violência escolar e a omissão social

Sempre que refletimos sobre educação, somos levados a pensar na função social da escola, com seus membros que devem ser toda a comunidade escolar (pois a escola está inserida na sociedade e, portanto, deve exercer a função transformadora).

Infelizmente, percebemos que a escola ainda caminha a passos lentos para a efetivação das mudanças sociais a que se propõe.

Conheço um professor que costuma alardear que a escola progrediu muito em 100 anos: “houve avanços didáticos, onde o quadro-negro passou a ser verde e hoje é branco” (especula o educador). Conduzindo esta frase de forma irônica, ele faz com que seus interlocutores percebam o quanto a mudança na educação é lenta (principalmente em comparação com as mudanças que ocorrem na atual sociedade da informação). Claro que tivemos muitas tendências pedagógicas inovadoras no último século, mas a grande maioria com poucos resultados práticos para uma boa educação.

Este cronistinha de pouca tinta e a maioria dos seus leitores já vivenciaram mudanças significativas no comportamento dos alunos, das famílias e da sociedade em geral. Mas, para muitos, a escola ainda continua com o professor lá na frente, com quadros e giz de várias cores, sendo o detentor do conhecimento, muitas vezes sentado na mesa (cansado de sua labuta diária) e os alunos sentados enfileirados e nem aí pro conhecimento que o professor quer repassar (alguns até arriscam afirmar que “a aula é de ‘giz e cuspe’, e que não atrai o interesse das crianças e adolescentes que estão na escola”).
Pois bem. Quando vimos esse quadro acontecer na escola, vemos, na mesma linha, alunos indisciplinados, praticando bullying e atos diversos de violência que não se viam há anos.
Sabe-se que o estudante tem lá sua subjetividade e que, na maioria das vezes, sua maneira de ser é difícil de se conduzir. Da mesma forma, nota-se que a escola não sabe lidar com os alunos “diferentes”.
Um exemplo? Quando acontece um ato de violência na escola o caso é levado para a direção e quando é muito grave, é levado ao conhecimento do Conselho Tutelar, que chama a família, que não consegue resolver também. Aí o caso é encaminhado para o Ministério Público que, muitas vezes, devolve à escola. E assim vai se formando o círculo vicioso, em que todos se envolvem, mas ninguém resolve o problema, na maioria das vezes.

A escola tem seu regimento interno, com seus direitos e deveres que não podem ferir o ECA (Estatuto da Criança e do adolescente). A polícia - que às vezes é chamada em casos graves de violência - precisa ter uma ação imediata, mas não pode punir, principalmente se for menor de idade.

A escola pública hoje precisa ter muros altos, alarme, vigia... enfim tem que ter segurança, porque os próprios alunos e ex-alunos são os que roubam os equipamentos, picham a escola, riscam as carteiras e paredes... depredam o patrimônio público. E a família? É chamada na escola só pra receber bronca e ser comunicada que seu filho é indisciplinado, que pratica bullying, que é violento, etc. Muitas vezes os pais escutam a escola e ajudam a mudar a realidade, mas às vezes o pai ou a mãe vem à escola para brigar porque seu filho foi ofendido, foi humilhado e que conhece os seus direitos.

E aí o papel se inverte: para a família, é a escola que não é legal. Não sabe o pai ou a mãe que, fazendo isso, seu filho vai continuar sem limites e muito mais indisciplinado.

As escolas precisam buscar alternativas (até com outros órgãos, se necessário). Mas precisa fazer “Escola de Pais”, ensinando os pais como educar nestes novos tempos.

Os pais devem, simplesmente, assimilar e por em prática tais ensinamentos.

A comunidade escolar precisa ainda realizar projetos de prevenção, de desenvolvimento de valores, de novos talentos e de autoestima.

Os professores precisam fazer cursos sobre como resolver os problemas de indisciplina, fazendo aulas mais dinâmicas, para que o seu aluno se envolva com a escola, com seus projetos e com a construção do seu próprio conhecimento.

Os governos precisam fazer políticas públicas eficientes, deixar de ser assistencialista e realizar melhorias em cada unidade escolar (porque uniforme, material escolar, livros e merenda não são os itens mais importantes para o ensino, mas uma escola atraente, com materiais pedagógicos bons, novas tecnologias na educação e material humano bem remunerado).

Efetivamente adotadas as estratégias citadas acima, certamente todos podem fazer a diferença, buscando uma educação de qualidade, sem bullying ou violência!