/Língua Afiada
05/11/2011 11h13

Oh têmpora, oh mores!

A inversão de valores que vem caracterizando as relações pessoais em nossa sociedade tem angustiado a todos quantos foram educados e formados dentro de padrões de conduta que não se coadunam com as práticas presentes nos dias atuais, onde os princípios éticos e morais de convívio social foram substituídos pelo culto ao individualismo e ao estímulo de uma competitividade que está impulsionando a todos para uma desenfreada na busca de “um lugar ao sol”, a um consumo desnecessário ou à conquista do poder, sem reservar qualquer espaço à solidariedade e ao respeito ao próximo.

Em meio a essa verdadeira “selva de pedra”, o homem robotizou-se, esqueceu-se de olhar para dentro de si, não mais cultivando em seu dia-a-dia os valores do espírito (como a amizade, a gratidão, a partilha, o reconhecimento e a fraternidade). que são eternos e imensuráveis!
Ao contrário, o homem redirecionou seus passos para um novo projeto de vida que, para viabilizá-lo, despreza as regras mais elementares de convivência humana, passando a guiar-se por sentimentos menores (dentre os quais a deslealdade, a ingratidão, o ódio, o rancor, a arrogância e a prepotência), neste mundo marcado pelo signo do egoísmo.

E nessa nova medida, o homem tanto mais vale quanto mais tem ou quanto mais pode, não importando os valores que cultua.

Sem dúvida que tal equívoco de avaliação guarda correspondência com a importância hoje conferida aos valores materiais (mesmo que efêmeros!).

Nesse contexto, e felizmente, já se percebe uma reação de alguns segmentos sociais numa cruzada em defesa da família e do resgate dos sentimentos provindos da alma, os quais, por serem permanentes, dão o verdadeiro sentido à vida. Infelizmente, o despertar desses valores ainda não produziu os frutos desejáveis na mente e no coração de algumas pessoas (especialmente aquelas que exercem o múnus público).

Com efeito, muitos governantes detentores de poder os utilizam como instrumento de pressão (ao sabor de seus desejos, caprichos ou conveniências). Esta é a regra! Por isso mesmo, a lei deixa de cumprir sua finalidade de promoção da justiça para se constituir num meio de efetivação das vontades desses “poderosos”.

E assim, pessoas com esse perfil, ao ascenderem à posição de mando no exercício de um cargo público, assumem uma postura de auto-suficiência, não admitindo serem contrariadas, nem tampouco se submeterem a regramentos pré-estabelecidos.

No atual cenário brasileiro, bem aqui em nossos quintais, esta prática é bem visível e “faz escola”.  E tal qual os imperadores romanos, ditos governantes se auto-proclamam de intérpretes do interesse coletivo.

Que bom seria que eles, ao menos uma vez na vida, seguissem o princípio bíblico de “dar de beber a quem tem fome”, acrescido do complemento “e sede de justiça a quem tem pão”.

Oh têmpora, oh mores!