/Língua Afiada
21/04/2012 12h00

Onde vamos parar? Devagar senhores!

Anões do orçamento, passagens áreas, lobby externo, atos secretos, “sanguessugas”, nepotismo, verbas indenizatórias, super faturamento, “toma lá dá cá”, emendas cruzadas e carimbadas, mensalão, lições de Demóstenes... Ufa, qual será o próximo? Onde vamos parar?

Talvez por tudo isso aí é que o nosso Congresso Nacional esteja entre as instituições menos admiradas pelo povo.

E adivinhem com quem ele faz dobradinha nessa desconfortável posição de “infortúnio” junto à opinião pública? Com os partidos políticos (formador da matéria-prima da qual nascem as duas casas legislativas do nosso Parlamento: a Câmara Federal e o Senado da República).

É. Em uma pesquisa realizada em 2011, sobre a confiança dos brasileiros nas instituições nacionais, apenas 35% dos entrevistados declararam confiar no Congresso Nacional. E os partidos políticos? Bem, estes se contentaram com 28%. E notem que esses números já foram um pouquinho mais generosos com os nossos representantes: em 2010, os partidos políticos detinham 33% e o Parlamento 38% de nossa confiança.

Ainda bem que a desconfiança em relação aos nossos legisladores e aos partidos políticos não parece ter minado a confiança da sociedade em outras instituições governamentais. Exemplos? Pois não: nessa última pesquisa as Forças Armadas aparecem com 72% e a polícia, com 55%. Já o governo federal tem a confiança de 52% dos brasileiros (mesmo nível depositado no sistema eleitoral atual, tendo como responsável a “estrela” urna eletrônica).

Tem mais. A nossa primeira presidente mulher, Dilma Rousseff, foi bem avaliada por aquele público: apareceu com 60% de confiança. E o sistema público de educação é confiável para 55% dos brasileiros.

Ora, se a maioria das pessoas declara confiar em estruturas ou instituições oficiais de poder, por que desconfiaria muito dos legisladores e dos partidos políticos presentes na Câmara e no Senado? Ora de novo: certamente, uma boa razão é a incapacidade (ou falta de vontade?) de punir seus membros envolvidos em irregularidades como as relembradas no primeiro parágrafo deste espaço!

Mais um ora: nem o Congresso Nacional e nem os partidos políticos conseguem exibir um histórico positivo quanto a isso na última década. Estou certo? Certíssimo! O corporativismo e o protecionismo parlamentar só pioraram esse histórico. E ainda dão expressiva e assustadora contribuição para tornar ainda mais negativa a percepção que o povo tem dessas duas instituições.

Vejam só! Enquanto o poder executivo, embora ainda de forma bastante tímida, vem pelo menos dando satisfações à sociedade cansada de tantos escândalos em série (substituindo ou demitindo seus integrantes), no seio do poder legislativo têm sido cada vez mais freqüentes os casos em que os processos de investigação de denúncias deságuam em um oceano sem fim, demonstrando pouco caso com a opinião pública (que o digam as inúmeras CPIs que começam, não terminam... e são esquecidas).

Não nos iludamos! Não nos cansemos esperando que o nosso Parlamento promova mudanças significativas para melhorar a imagem que a sociedade tem das duas Casas que o formam. O tempo passa, o povo dorme... E tudo cai na vala do esquecimento (no profundo e escuro oceano da nossa falta de memória).

Mas espera aí moçada! Não custa lembrar que tanto a Câmara como o Senado são financiados com recursos públicos (nossos) e devem dar explicações, sim, à sociedade. Sobre tudo e o tempo todo!

Pois se não o fizerem... Ai, ai, ai... Vai chegar um dia em que, além de não mais confiar em deputados e senadores, uma grandiosa maioria de eleitores pensará nesses “representantes” como pessoas prescindíveis (eu disse PRESCINDÍVEIS) para a boa governança.

É a cidadania senhores! E ela aqui, um dia, também será exercida na sua plenitude... Ora, ora!