14/05/2011 13h13
Que caminho seguir?
Um dia desses, este cronistinha de pouca tinta se aquietou um pouquinho diante da TV. Não, não era para contemplar um show de bola do tricolor das laranjeiras não (no momento, estamos protegidos na platéia, vendo “carroças desembestadas” atropelar “bondes sem freio”).
Na verdade, paramos para assistir alguns capítulos de uma série (ou novela, não distingui bem) recém produzida e atualmente em exibição em uma rede nacional de televisão.
A produção retrata os idos 60/70 no Brasil, especificamente a vida estudantil, política e social tupiniquim no auge do regime militar que nos governou naquela época.
Longe o desejo de se manifestar acerca daquele período. Aproveitamos a introdução acima, tão-somente, para noticiar aos nossos leitores que, inspirados pelo tema de referida produção televisiva, descobrimos em nossos arquivos uma obra da escritora Adelaide Carraro, o livro “O Estudante” (1970).
Com o enredo escolhido, a escritora sensibilizou muita gente e divulgou mensagem das mais importantes para o contexto e para a época.
Das passagens desta obra vimos que entre os jovens predominava uma sensação de angústia, de vazio, de tentar alcançar o inalcançável, de nunca se contentar com nada.
Era um tempo de repressão política e onde existia, ainda, uma dominação muito grande dos pais que, por sua vez, se preocupavam excessivamente com o que a sociedade iria dizer disto ou daquilo.
As drogas apareceram então como uma espécie de refúgio.
O jovem busca nelas o conforto para sua própria vida? Era uma forma de manifestação do seu inconsciente sobre a realidade em que vivia. Foi assim que surgiram os rebeldes sem causa.
Qual o objetivo em participar de uma luta política? Implantar um governo que oferecesse alternativa para a sociedade? Que governo seria possível de implantar?
Qual o objetivo em querer seguir o caminho da música, do rádio, da televisão? Fazer algo completamente inovador em relação ao que já existia?
O que era possível de se fazer culturalmente diante dos entraves existentes (a censura era um deles)?
E assim chegava-se a uma bifurcação em “Y”...
Que caminho seguir? O patrulhamento estava bem ali, na próxima esquina, todos com o dedo indicador em riste para apontar e dizer das suas culpas, das suas impossibilidades.
Já os traficantes, não! Eram bandidos, mas eram românticos. Eram criminosos, mas eram sensíveis. Eram assassinos, mas eram justiceiros (pelo menos, na concepção dos seus seguidores).
Fora disso, eram bandidos comuns. Queriam apenas submeter a sociedade ao seu domínio para exercer o mando, tendo como meta principal o lucro.
Voltando à obra de Adelaide Carraro: em “O Estudante”, o personagem em questão é inteligente, preocupado com o meio em que vive e disposto a encarar desafios e, acima de tudo, vocacionado para a superação.
Mas o uso de alucinógenos logo transforma radicalmente a sua personalidade. Ele se torna um trapo do ser que era antes (o leitor vai acompanhando tudo isso. E sofrendo junto com sua família e com o próprio estudante!).
Pois bem. As drogas continuam sendo o grande problema para a sociedade brasileira. Uma parte considerável dos jovens nem sequer se preocupa com seu próprio futuro. Materializam na droga tudo aquilo que gostariam de ser, mas que na prática não conseguem atingir.
Trata-se do inalcançável. Chegamos numa bifurcação perigosíssima: QUE CAMINHO SEGUIR?