17/09/2011 12h50
Resultado ENEM 2010

Esta semana, o INEP Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais divulgou mais um resultado do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio).
Hã... O que é isso? É o seguinte: o governo Federal aplica uma prova aos alunos do ensino médio de todo o país para avaliar como está o nível de nossa educação.
Ah... Tá!
Segundo o resultado divulgado (e já explorado por toda a mídia), não sabemos se é para chorar ou se é para entrar em desespero. É verdade: o resultado, na melhor das hipóteses, foi alarmante!
O “Top 100” é formado por 87 escolas particulares e 13 públicas. Hein... Não entendeu? Repito: das 100 escolas melhores colocadas, apenas 13 (“trezinhas”) são públicas.
Um ranking mais “estreito” ainda: das 10 melhores, somente uma pública.
Agora um ranking “pra chamar de meu” (cronistinha maranhense de querência, mas piauiense de nascença): entre as 10 melhores do País... Figuram DUAS do Piauí (ocupando a 2ª e 7ª colocação)!
Mas isso (o péssimo desempenho da rede pública), não quer dizer, necessariamente, que as escolas particulares são bem melhores. De modo algum! As públicas é que estão deixando muito a desejar.
Uma explicação? Pois bem: de acordo com os dados apresentados pelo INEP, mais da metade de todas as escolas submetidas ao exame foi “reprovada” no ENEM 2010 (exatas 63,64% das escolas que tiveram a nota das provas objetivas divulgadas não conseguiram atingir a média de 511,21 apurada). Resumo da Ópera: se o que estivesse em jogo fosse a aprovação ou a reprovação, elas não “passariam de ano”. E agora a dor maior: Dessas “reprovadas”, 99,4% são das redes públicas de ensino. Ai....!
Ano passado o articulista Diogo Mainardi escreveu numa revista semanal, dentre tantas coisas, o seguinte: "Somos os maiores formadores de analfabetos do mundo". Foi mais ou menos isso, este cronistinha de pouca tinta não guardou o exemplar de tal revista.
Concordo que não precisamos acreditar e nem concordar com Mainardi e nem com a linha editorial daquela publicação. No entanto, pelo menos eu (esse reles “metidinho a escriba” que vos engana) não tenho muito argumento para derrubar seu comentário. Muito menos depois do resultado do ENEM.
A UNESCO (organismo internacional vinculado à ONU e ligado à área da educação mundial) aplica todos os anos uma espécie de teste em vários países para avaliar o desempenho da educação. Ciência, Matemática e Língua Portuguesa-Interpretação (apenas no Brasil) são alguns do temas submetidos a esse teste.
E os resultados para o Brasil? Ave... São chocantes: nossos alunos não sabem resolver as quatro operações básicas da matemática; não sabem ler (com dificuldade para entender o que estão lendo e interpretar); não têm curiosidade cientifica; não pensam logicamente; não criam...
Nossos alunos... De escolas públicas e privadas!
Opa, calma! Não estou aqui a procurar culpados (se é que eles existem). Mas teve um ano que perguntei em uma reunião pedagógica, ao palestrante, se ele não tinha vergonha de dizer que era professor no Brasil, sendo o nosso país um dos piores em educação no mundo. Ele me enrolou e não deu a resposta! Não que a resposta dele fosse mudar alguma coisa... Deixei pra lá!
Mas querem saber de coisa: além de teimar em brincar de cronista, já fui professor, já fui aluno e sou pai. E penso que todos nós deveríamos estar com vergonha da educação que temos. Pais, alunos e professores.
Jamais teremos uma educação de qualidade enquanto todos (pais, alunos e professores) não estudarem muito mais. Não adianta investir em tecnologia, livros, prédios, etc., se nosso cérebro não entendeu o que quer dizer estudar, aprender, dividir, trocar conhecimento, etc.
Eita... Estava esquecendo! Aquele teste da UNESCO está prestes a se repetir. Será que vamos terminar este ano mais uma vez na ponta inversa do ranking de educação desse organismo internacional? Ai, ai, ai...
Para refletir e terminar: "Estudar é igual remar contra a maré, sempre que você pára pra descansar... O barco volta".