/Língua Afiada
07/05/2011 12h42

Ser MÃE - Uma condição irrevogável

No senso comum, ser MÃE talvez traduza a experiência de gerar filhos, de criar e educar seres humanos.

Para muitos, viver a maternidade talvez seja um processo iniciado no nascimento dos filhos e que se prolonga por toda a vida.

No entanto, assistindo a entrevistas num desses programas matinais (estava de folga do trabalho, certo?), ouvimos alguns depoimentos de mulheres que perderam os seus filhos e, aí, entendemos mais claramente que ser MÃE não se trata apenas de uma experiência “curricular” na vida de alguém. Nem de um processo ou de um aprendizado, somente.

É tudo isso sim, mas também é muito mais!

Ao ver a declaração dessas formidáveis figuras que tentam seguir a vida após a perda dos filhos, entendemos que ser MÃE é uma condição IRREVOGÁVEL e irretratável.

Ser MÃE é uma condição diferenciada (não melhor ou pior, mas diferente) de ver, sentir e viver no mundo.

Ser MÃE é ter o vínculo indissolúvel com aquele a quem acolhemos sob extrema proteção e acima de qualquer interesse individual.

Ser MÃE é ter uma relação ininterrupta, com aquele a quem dedicamos a melhor parcela de nós mesmos e que terá sempre nossa abnegação, mesmo se for atravessada por uma perda.

De fato, entendemos a vida como algo provisório e todos os acontecimentos que nos atravessam de maneira mais perecível ainda. Porém, agora entendemos que a maternidade é algo inseparável de todas as MÃES que se dispõem a vivê-la. Ou seja, não depende apenas do parto ou do título, mas da decisão honesta de ser MÃE.

Tudo isso (por mais óbvio ou piegas que possa parecer) nos faz ver como mulheres tipo Glória Perez (mãe da ex-atriz Daniela Perez assassinada na década de 90) ou a mãe da pequenina e saudosa Isabela Nardoni, assumem suas dores com a convicção de que a busca por justiça não trará seus filhos de volta, mas faz parte do pacto fulcral de suas existências – proteger seus filhos acima de qualquer coisa!

Chico Buarque, que tão bem entende da alma feminina, diz em uma música que “... a saudade é o avesso do parto, é como arrumar o quarto do filho que já morreu...”.

E esse exercício de arrumar o quarto se traduz, para essas MÃES que perderam seus filhos, em tentar transformar a dor inimaginável em força para buscar a justiça, mesmo quando a maior injustiça do mundo lhes foi infligida – ver a ordem natural das coisas ser mudada.

Neste 08 de maio, na condição de um filho que já perdeu sua MÃE, desejo o que muitos filhos com MÃE devem está esquecendo: abraçar todas as MÃES do mundo (mães com filhos, mães que perderam seus filhos, mães que ainda não “ganharam” filhos, mães potenciais... futuras mães).
Parabéns MAMÃES!