/Língua Afiada
05/08/2011 10h26

Tudo isso acontecendo... E a Saúde Pública, como anda?

Há anos que as reclamações contra o SUS – Sistema Único de Saúde – vêm acontecendo. Em nenhum cantinho desse meu Brasilzão de meu Deus existe uma satisfação plena.

Os governantes (na esfera federal, estadual e municipal) explicam, explicam, dizem que vão tomar providências, mudam planos de atendimento... Mas as coisas continuam da mesma forma.

Os hospitais e os profissionais da área reclamam dos baixos valores recebidos. Greves acontecem e se tornaram práticas normais (talvez com raríssimas exceções, utilizadas como subterfúgios para faturar além das cotas pagas pelo governo para os procedimentos).

Hospitais lotados (consultórios e clínicas também). Pessoas morrem a cada dia, a cada instante, por falta de atendimento, por erros médicos, por falta de remédios e procedimentos corretos. Enfim, a população é que paga. E paga muito caro. O contribuinte faz sua parte, paga a Previdência Social e não vê resultados. E salvo um ledo e escasso engano, saúde é a prioridade das prioridades, tem que ser completa (não pode ser apenas 99%, mas sim 100%).

Semana passada um conhecido meu chegou ao trabalho com dores em uma das mãos e sem condições inclusive de movimentá-la. Seus colegas ficaram preocupados e, até pensando em um possível derrame ou enfarte. Rapidamente se dirigiram a um hospital público onde o nosso já “impaciente” paciente foi encaminhado a um clínico-geral de plantão.

Pois bem. O digníssimo “doutor” recebeu nosso “impaciente” (ops, paciente) sentado e sentado permaneceu. Ouviu rapidamente a reclamação dele e sem sequer tocá-lo disse que não era nada, talvez um mau jeito no trabalho. Recomendou, então, que o mesmo fizesse alguns exercícios. Sequer verificou sua pressão arterial, e apesar de lhe terem repassado preocupações a respeito do estado de saúde do colega, o médico (?) não deu ouvidos, e nada prescreveu.

Diante de tal desrespeito ao ser humano, num hospital público (que deveria dar exemplo) e do atendimento abaixo de qualquer crítica por parte do médico que tem seus salários pagos pelo contribuinte (e, diante dele, estava um dos seus “patrões”, um dos que contribuem para seu salário), resolveram reconduzir o cidadão a um hospital particular. Foram pagos R$ 130,00 por uma consulta a um clínico-geral, que realmente avaliou o que estava acontecendo com o agora paciente (que foi bem atendido, numa consulta de mais ou menos 30 minutos e encaminhado a um ortopedista).

Mais uma consulta e mais R$ 130,00 pagos e o médico concluiu o diagnóstico e solicitou os exames necessários, além de traçar diversas recomendações.

Esse caso ocupou esta crônica para colocar para fora a minha indignação. Agora, posso dizer que sou testemunha quase ocular do desrespeito com que são tratados os usuários do SUS. Deve haver exceções, é claro, mas na maioria das vezes é assim, senão não seriam estampadas, diariamente, essas tristes notícias na mídia em geral.

Espero um dia, antes de partir para outro plano, ver o meu País e o meu Estado curado dessa horrível doença que é o desprezo ao ser humano. Omiti o nome do médico (se é que se pode chamá-lo de médico) para evitar problemas, pois se como médico atende dessa forma deve ser uma pessoa intratável e não recomendável polemizar com criaturas desse “naipe”.

O mesmo fiz com o hospital. Hã...? Hospital? Deixa pra lá!