01/06/2011 12h12
Bar do Piçarra: Papo Musical
O Bar do Piçarra foi uma taberna acolhedora no último final de semana. Corrijo-me, como costuma dizer o Professor Ronilson, grande jornalista de Monção, o Bar do Piçarra é o único canto cultural de nossa tão carente Santa Inês. Lá alguns camaradas defensores do que nos restou de cultura realizaram um projeto denominado ‘Papo Musical’.
Os poetas Luís Henrique e Paulo Rodrigues abriram a noite com versos de grande revolta social, mostrando a capacidade critica de suas canetas, Costa Lima e Jesseny reacordaram o saudosismo em José Rios, ex-prefeito de nossa urbe, ao tocar alguns clássicos de Caetano Veloso, além de fazer o Geraldo Figueiredo sorrir de satisfação ao dedilharem Asa Branca de Luiz Gonzaga. O Tio Lindo que estava presente não resistiu. Pegou o boca de ferro e nos fez sorrir demasiadamente com suas paródias e performances humorísticas.
Luís Henrique, que é meu irmão de utopias, sentou perto de mim e disse em voz baixinha:
- Gosto de me sentir no ar. Gosto de pensar que é possível ajudar a cultura de minha terra, de transformar a impossibilidade em coisas possíveis. Sempre que eu venho a este local saio embriagado com todas as nuances do ser humano encontradas aqui. O Bar do Piçarra é o ponto de encontro dos amantes da cultura, da noite, da poesia, por isso vamos transformá-lo no botequim de Bragi, deus da poesia, protetor dos versejadores como nós.
Disse isso, logo voltou para recitar mais poemas. Eu fiquei observando a lucidez quase filosófica do Luís, as verdades implícitas naquele ato de fala e acabei lembrando do Mário Quintana: “Ser poeta não é apenas dizer grandes coisas, mas ter uma voz reconhecível dentre todas as outras.” Realmente, todos os poetas assíduos no Bar do Piçarra são destacáveis em suas diferentes formas de dizer o mundo.