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07/05/2011 12h44

CARTA A UM BANDIDO

Aqui em Santa Inês, ou em qualquer outro lugar do Brasil, não e nada fácil exercer a função policial, pois até os próprios direitos humanos, que em tese seriam para toda as pessoas, pouco nos alcançam. Os direitos até mais valem para os marginais que ferem a ordem e rasgam as leis do que para os policiais que as defendem e as guardam acima de suas próprias vidas. Buscando algo ilustrativo para essa incompreensível comparação, encontrei num site, um artigo exemplo, intitulado CARTA A UM BANDIDO, escrito pelo delegado de Policia Civil do Estado do Para’, Wilson Ronaldo Monteiro, cujo teor transcrevo na integra:

“Senhor Bandido!”
Esse termo de senhor que estou usando é para evitar que macule a sua imagem ao lhe chamar de bandido, marginal, delinqüente ou outro atributo que possa ferir sua dignidade, conforme orientações de entidades de defesa dos direitos humanos. Durante vinte e quatro anos de atividade policial, tenho acompanhado suas “conquistas” quanto a preservação dos seus direitos, pois os cidadãos e especialmente nós policiais, estamos atrelados as suas vitórias, ou seja, quanto mais direito você adquire, maior é nossa obrigação de lhe dar segurança e de lhe encaminhar para um julgamento justo, apesar de muitas vezes você não dar esse direito as suas vítimas. Todavia, não cabe a mim contrariar a lei, pois ensinaram-me que o direito penal é a ciência que protege o criminoso, assim como o direito do trabalho protege o trabalhador, e assim por diante.

Questiono que hoje em dia você tem mais atenção do que muitos cidadãos e policiais. Antigamente você se escondia quando avistava um carro de policia; hoje, você atira, porque sabe que numa troca de tiros o policial sempre será irresponsável em revidar. Não existe bala perdida, pois a mesma sempre é encontrada na arma de um policial ou pelo menos sua arma é a primeira a ser suspeita. Sei que você é um pobre coitado. Quando encarcerado, reclama que não possuímos dependência digna para você se ressocializar. Porém, quero que saiba que construímos mais presídios do que escolas ou espaço social, ou seja; gastamos mais dinheiro para você voltar ao seio da sociedade de forma digna do que com segurança pública para que a sociedade possa viver com dignidade. Quando você mantém um refém, são tantas suas exigências que deixam qualquer grevista envergonhado. Presença de advogados, imprensa, colete a prova de balas, parentes, até juízes e promotores você consegue que saiam de seus gabinetes para protegê-lo. Mas se isso é seu direito, vamos respeitá-lo. Enfim, espero que seus direitos de marginal não se ampliem, pois nossas obrigações também aumentarão. Precisamos nos proteger. Ter nossos direitos, não lhe matar, mas sim de viver sem medo de ser um policial. Dois colegas seus morreram, assim como dois de nossos policiais sucumbiram devido ao excesso de proteção aos seus direitos. Rogo para que o inquérito policial instaurado, o qual certamente será acompanhado por um membro do Ministério Público e outro da Ordem dos Advogados do Brasil, não seja encerrado com a conclusão de que houve execução, ou melhor, violação aos direitos humanos, afinal, os dois de vocês que morreram, morreram em pleno exercício dos seus direitos”.
 

Por Cabo Marigato