/Artigos
11/10/2011 22h41

Como identificar os corruptos?

Por Carlos Chagas

Quando a população inteira foi para a rua, no início de 1984, não era apenas para  reivindicar o direito  de votar para presidente  da  República. A  campanha das “diretas já” significava  mais.  Exprimia o cansaço e a indignação nacional diante do regime  militar. Cada cidadão que engrossava os comícios monumentais  estava dizendo para  os detentores do poder algo como: “vão  embora!”, “eu  não   gosto de  vocês!”.

Ainda que possa crescer e multiplicar-se,  a movimentação prevista para continuar amanhã em  diversas  capitais, “contra a corrupção”,  lembra apenas pela metade sua ancestral das “diretas já”.  Porque há 27  anos havia um sujeito específico para os protestos populares, o regime  militar. Agora, qual  o objeto  das manifestações contra a corrupção?  Não dá para ser o governo, tendo em vista recentes demissões de ministros  e muitos  altos  funcionários. Muito menos o Congresso, onde convivem personalidades de todos os  matizes.   Seria injustiça, também, fazer  pontaria apenas  nos políticos, porque,  conforme a natureza das coisas, onde há um corrupto haverá  também um   corruptor, empresário  ou funcionário público. Não há mais ditadura, para acusar os ditadores.

Sendo assim, a “campanha contra a corrupção”, para prosperar,  precisa encontrar logo o seu alvo principal.  Que tal os bancos? O Poder Judiciário? A imprensa? Quem quiser que arrisque um palpite, mas é preciso classificar   os corruptos para que as manifestações  prossigam.