04/01/2012 10h58
CONGRESSO: RUIM COM ELE, PIOR SEM ELE
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| Por Carlos Chagas |
Desde antes do Natal e durante todo o mês de janeiro, mais boa parte de fevereiro, o Congresso não funcionará. Qual o significado dessa folga, para 190 milhões de brasileiros? Nenhum. Absolutamente nenhum. Da mesma forma, quando recomeçarem os trabalhos, quem se dará conta? Deputados, senadores, funcionários e jornalistas, é claro. Mais ninguém, exceto se estourar este ano, como nos anteriores, algum malfeito, escândalo ou sucedâneo digno de menção nas folhas e nas telinhas.
É melhor que seja assim. De uns anos para cá, o Congresso tem-se revelado amorfo, insosso e inodoro. Ótimo. É sinal da inexistência de crises, porque Câmara e Senado só despertam a grande atenção nacional em períodos inusitados. A última vez foi quando das denúncias sobre o mensalão. Depois, uma santa pasmaceira, por certo que ajudada por deputados e senadores, cuja realização popularmente mais conhecida de 2011 foi a votação da lei proíbindo os pais de aplicarem palmada nas crianças.
Demonstram os cronistas esportivos que o melhor juiz de uma partida de futebol é aquele que não aparece. Vale o mesmo para o Poder Legislativo, se desenvolve apenas a rotina da discussão e votação de projetos de lei sem importância.
O risco dessa evidência está em que a tranqüilidade pode ser confundida com a desimportância. Não faltarão vozes para perguntar “Congresso, para que Congresso?”
A resposta é clara e serve para calar a boca dos radicais: para estar à disposição da nação em momentos de crise. A História está pontuada de exemplos em que a intervenção parlamentar serviu para minorar ou até evitar rupturas institucionais. Às vezes não dá, o próprio Congresso vê-se atropelado pelas circunstâncias, mas, como regra, sua intervenção é sempre oportuna.
Sendo assim, não há que lamentar o vazio, seja do recesso, seja dos períodos de pálido funcionamento legislativo. Melhor verificar que, em caso de necessidade, o Congresso marcará presença. Ruim com ele, pior sem ele.
