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13/08/2011 12h39

Dr. Welinton Carvalho, Memórias e Boa Poesia

Ganhei de presente semana passada o livro Geometria do Lúdico do Dr. Welinton Carvalho. Fiquei tão maravilhado com as formas da poesia deste ser cheio de luz, que resolvi contar esta passagem para os meus queridos leitores. Este homem poeta tão integro nas suas ações, e ao mesmo tempo tão destridor das formas poemáticas, reafirma ao longo de sua trilha literária, que Santa Inês é o seu phatos utópico, isto é, o solo fértil onde as reminiscências nascem viçosas.

Falo em lembranças ‘pueri’, porque este vate é um catalisador de memórias da mais alta estirpe, levando-me inclusive a compará-lo muitas vezes com o Manoel de Barros, que é um gênio em revelar as coisas simples do universo, utilizando-se das recordações. Vejo no Dr. Welinton uma luta ‘quase corporal’ com as palavras, buscando nos traços graduais da nossa Língua Materna um novo jeito de reacordar as palvras, assim sendo muitas vezes dar um golpe fatal na sensibilidade dos degustadores de poesia. Ao devassá-lo na sua intimidade verbal, lembrei também das palavras do grande crítico literário Octavio Paz, quando dissera: “A palavra é o próprio homem. Somos feitos de palavras. Elas são nossa única realidade ou, pelo menos, o único testemunho de nossa realidade”.

O referido poeta faz seu testemunho através da erguida, através da poesia, crinado um espírito de homem ‘agnesiano’, simples e complexo na mesma tacada. Podemos perceber isto no poema NOTAS PARA UM POEMA: “Tarde de dezembro e verão/ Cheiros, cores, sabores, que o tempo não dizima/ Eu era menino e ouvia o prefixo do Cine Arte Palácio/ Era domingo/ Eu ia ao cinema sonhar: ali mesmo em Santa Inês/ Ali mesmo na Rua da Raposa/ Ali, naquele mundo tão simples/ Que não consigo dizer num poema”. Minha alma fez festa, sorriu de felicidade ao se misturar com a anamnese deste poeta enorme, que tão bem soube buscar em sua terna idade, o mote para as metamorfoses linguísticas, para ampliar as belezas das imagens em sua obra.

Tenho coragem de dizer. Animei-me deveras com a qualidade deste poeta de minha ‘santinha’, assim como com outros autores que estão divulgando um olhar nosso sobre a vida, mas por outro lado a tristeza roubou um pouco da minha alegria, pois faltam políticas públicas capazes de ampliar nossas potencialidades culturais - Temos que romper com as correntes da inércia cultural! - Encerro com o Millôr Fernandes, que talvez explique melhor o implícito de minha enunciação: “A cultura fortalece o espírito e liberta as pessoas”.   
* Paulo Rodrigues