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31/08/2011 09h37

HOMENAGEM A MANOEL CONCEIÇÃO SANTOS

Manoel Conceição, lavrador, revolucionário. Tua história chegou a Pablo Neruda, que se levantou a teu favor, quando, em 1972, eras cruelmente torturado no Brasil pelos militares. A terra que lavraras, os frutos que tuas mãos colhiam, teus dias de bravura e tua radiosa esperança povoaram os sonhos do poeta chileno. Foi Mário Pedrosa quem escreveu a Neruda, clamando por tua vida.

Quem é Manoel Conceição? Nascido no Maranhão, em 1935, como todo pobre do campo, logo sofreu a opressão da oligarquia, que expulsou de casa. Num dos ataques da jagunçada, é baleado e, nessa hora, promete a Deus dedicar sua vida à luta do povo.

Eram os anos 60, os lavradores penavam sob a violência diária do latifúndio, vendiam seus produtos por quase nada, e tinham suas roças invadidas pelo gadão dos fazendeiros. Começavam as grandes mobilizações. Ao ver chegar uma passeata de três mil lavradores a São Luiz, o Governador declara que, para eles, tinha cadeia, chicote a bala. Foi quando os trabalhadores deixam a capital e decidem que o gado dos ricos não comeria mais suas roças.

Em janeiro de 64 os trabalhadores atiram no gado invasor e expulsam os jagunços das suas glebas. Manoel já é presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais Autônomos de Pindaré Mirim. Com o golpe, Manoel foi preso, muitas vezes, por promover a organização dos camponeses. “Gado come roça, come bala” era o dito do momento. Como organizassem armazéns coletivos para proteger a colheita e defender os preços dos produtos contra os atravessadores, irritaram os poderosos; em meio a um ataque da polícia, em 1968, Manoel é baleado na perna direita e, por falta de atendimento, vem a perde-la. Respondendo a Sarney, que pretendia seduzi-lo com perna mecânica e moradia, Manoel dia “minha é perna minha classe”, expressão que correu todo o sertão.

Depois, aprofundou-se na luta contra a ditadura e passou à clandestinidade sem trastejar um minuto. Foi preso em 72, levado para São Luiz e seqüestrado pelo DOI-CODI, do Rio, onde veio a sofrer as indescritíveis torturas que levaram várias vezes à beira da morte. quatro anos depois, saindo do inferno, refugiou-se na Suíça, onde passa a denunciar a ditadura e lançar as bases para construção da CUT.

Ao voltar, em 79, mete-se na criação do PT do qual se torna Segundo vice-presidente Nacional. Mário Pedrosa, Apolônio de Carvalho e Manoel da Conceição são os 3 primeiros nomes fundadores do Partido dos Trabalhadores.

Voltando ao Maranhão, em 84, passa a fortalecer a CUT, o PT e a luta pela Reforma Agrária. Hoje, sem abandonar a roça, milita na conquista e na defesa da terra, na formação de lideranças e na construção de sindicatos de classe no campo. No ano passado, candidatou-se ao Senado, pelo PT.

Nesta festa te louvamos, Manoel Conceição, nosso irmão, nosso guerreiro, nosso verdadeiro imortal! (Com colaboração de Hélio Magalhães Guedelha)