01/07/2011 23h37
Lições de Vida
Por Paulo Rodrigues
Realizei o ‘Sarau: a voz, o canto e a canção’ no último sábado, no Mellos Bar e Restaurante. Foi um momento de muitas emoções, pois reunimos quase quinhentas pessoas para louvarmos a boa música maranhense e a poesia produzida pelos vates do Vale do Pindaré. Recordei agora, no embalo da escrita, uma frase dita no filme ‘O Carteiro e o Poeta’: ‘A poesia não pertence a quem escreve, mas a quem necessita dela’.
Reproduzo esta afirmação, porque observei a necessidade de poesia nos olhos de todos. Algumas mulheres deliravam com o recital, outras não seguravam as lágrimas, chorando desesperadamente. Os homens animaram-se com a qualidade das canções de Raimundo Alberto Texeira Morais, que é um artista completo, poeta dos maiores, compositor inconteste, dono de uma voz encantadora, artista plástico, humorista entre outros grandes predicativos. Falo, meus amigos leitores, do Bebé. Do Bebézinho de Lago da Pedra, autor de ‘Fátima’. Ele tocou nossos desejos com o seu trovar todo especial, com suas melodias fantásticas, mas principalmente com seu exemplo de vida.
Observem, ao sair do palco aproximou-se de minha mesa. Comecei então um longo papo cultural com o Bebé, que é um dos maiores compositores do Brasil. Depois de algumas cervejas disse-me:
- Paulo, meu irmão de versos, não entendia minha mãe quando eu era garoto. Éramos muitos filhos. Todos normais, só eu tinha necessidades especiais, no entanto ao passarmos por uma lama no caminho da roça. Minha progenitora carregava todos os meus irmãos. Eu ficava para fazer a travessia sozinho. Chorava muito, no entanto conseguia. Só agora percebo que ela acreditava em mim, não queria aleijar minha cabeça. Eu busquei, nas lições de minha mãe, na música e na poesia minha salvação aqui na terra.
Gostei ainda mais do talento quase simples do autor de ‘Imagens’, um disco primoroso. Fiquei também com mais vontade de fazer pela cultura de nossa Santa Inês, que anda tão carente de políticas públicas para fomentar o desenvolvimento de nossas potencialidades artísticas. Acho que por isso, passei a semana cantarolando ‘Dom de Esperar’ do Bebé: “Tentei cantar chorei/ Tentei amar sofri/ Do amor não cansei/ Sou dos de insistir/ E tenho o dom de esperar/ Vou conseguir”.
Paulo Rodrigues (Professor e Poeta)