30/07/2011 10h14
O empresário paga muito e o empregado ganha pouco
Mesmo tendo um dos mais baixos salários mínimos do mundo (o Brasil tem o 16º pior salário em uma lista de 24 países latino-americanos), o custo do trabalhador da indústria brasileira é o maior entre 34 países de todo o mundo que constam em um levantamento inédito realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
A pesquisa mostra que os encargos trabalhistas correspondem a quase um terço (32,4%) dos custos com mão de obra na indústria de transformação brasileira. O estudo tomou como base um levantamento realizado pelo Departamento de Estatística do Trabalho dos Estados Unidos (BSL). Os dados mostram que o índice no país é 11 pontos percentuais acima da média das demais nações pesquisadas.
No confronto com outros países emergentes, como México (27%) e Argentina (17%), o custo do trabalhador no Brasil chega a ser quase o dobro. Tornando o alto custo do trabalho um obstáculo para o crescimento da indústria, e aumentando o preço final do produto devido aos custos e encargos trabalhista e dificultando o Brasil a competir com o mercado internacional. Além disso, já existe uma enorme carga tributária e um alto custo logístico que comprometem ainda mais a indústria.
O Mercado Interno aquecido garante o desempenho razoável para a Industria, mas existem indústrias em que o custo da mão de obra representa 60% de todos os gastos. Estas, certamente, sofrem mais e correm o risco do alto custo inviabilizar sua atividade.
O GOVERNO Federal estuda flexibilizar as leis trabalhistas, diminuindo encargos para o empregador, desde a primeira metade da gestão Lula. O setor produtivo e as principais centrais sindicais se reuniram várias vezes para tratar o assunto. Os estudos, no entanto, não foram para frente e está engavetado do governo Dilma.
Mesmo com o alto custo para contratação e manutenção de trabalhadores, as indústrias ainda sofrem com a falta de mão de obra qualificada.
Um alívio nos encargos trabalhistas poderia estimular as empresas a fazer mais contratações e a incrementar programas de qualificação profissional. Implantar algumas medidas compensatórias do governo, como dedução em alguns impostos federais seria uma solução prática.
A moral é que o empregador paga muito, o empregado ganha pouco e o governo não quer abrir mão de algumas receitas.
* Valfranio de A. Freitas, bacharel em Ciências Contábeis