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27/04/2011 15h58

O Signo Semiótico

Por Raimundo Lopes Matos

Essa abordagem é oportuna e necessária, porque muitos desconhecem essa área do saber humano, mesmo nos meios acadêmicos, apesar de ser um termo muito usado em espaços escolares, culturais e científicos. E, se nesses ambientes, o termo ainda motiva dúvida por soar desconhecido para alguns, muito mais no meio do povo que é norteado pelo conhecimento implícito e empírico do dia-a-dia, o que vale dizer, senso comum. Daí, a importância de partilhar e compartilhar este assunto instigante.

O signo é, segundo Charles Sanders Peirce, “qualquer coisa que conduza uma outra coisa (seu interpretante) a referir-se a um objeto ao qual ela mesma se refere (seu objeto) de modo idêntico, transformando-se o interpretante, por sua vez, em signo, e assim, sucessivamente ad infinitum”. E, tentando deixar mais compreensível essa noção do signo peirceano, Maria Lúcia Santaella traz a seguinte definição: “Um signo intenta representar, em parte, pelo menos, um objeto que é, portanto, num certo sentido, a causa ou determinante do signo, mesmo que o signo represente seu objeto falsamente”. E, ainda querendo ser mais acessível, seria dito, grosso modo, que o signo é uma tentativa de substituir o abjeto. Exemplos: uma caricatura de um político e/ou imagem mental desse político é um signo chamada de ícone: a caricatura está no lugar desse político, por tanto um tentativa de substituição; quando a grama do quintal amanhece molhada aquilo é marca de chuva e esse molhado é um signo denominado índice (marca) que tenta substituir o objeto que é a chuva; quando se escreve, fala e se emite conceitos de um termo, trata-se do signo símbolo e está presente, também, a idéia de substituição; quando se escreve e/ou se fala o termo semiótica é uma tentativa de substituir o seu conteúdo.

Devem ser ressaltadas, aqui, duas coisas: a primeira é que foram separados e apresentados ícone, índice e símbolo de maneira sequencial, linear e estanque, apenas por questões didáticas, pois, na prática, eles são interdependentes, recorrentes e podem acontecer simultaneamente, além de um mesmo signo poder ser e ter as três funções icônica, indicial e simbólica. Tudo vai depender da leitura que seja feita, pois, afinal, o signo não é uma entidade monolítica, pronta e acabada. Porém, uma complexidade criada, ampliada e diversificada; a segunda é que essa tricotomia ícone-índice-símbolo é apenas uma das dez tricotomias peirceanas. O seu repertório sígnico não se esgota nessa tríade ora aborda. Há muito caminho a ser trilhado.

Esses signos verbais: orais e/ou escritos e os não-verbais: sons, gestos, olhares, cores, cheiros, gráficos, desenhos, caricaturas, fotografias, lágrimas, risos, sorrisos apertos de mão etc, existem e coexistem como elementos fundamentais, portanto imprescindíveis na/para a comunicação, qualquer que ela seja e nos seus mais diversos tipos e níveis.

No circuito da comunicação e pelo viés semiótico, tudo é signo, inclusive você, leitor!

Formado em Teologia, Letras e Direito; Mestre e Doutor em Comunicação e Semiótica; Pós-doutor em História Política da América Latina; Professor Universitário Pleno – Graduação e Pós-Graduação.