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26/10/2011 10h52

OS PARTIDOS NA CRISE QUE ATINGE O PC DO B

Por Carlos Chagas
Debaixo das cinzas tem brasa. Até fogo. Fala-se da situação do ministro dos Esportes, Orlando Silva. Na última sexta-feira ele recebeu da presidente Dilma uma espécie de licença provisória para seu estabelecimento  continuar funcionando, como deixou claro o ministro Gilberto Carvalho. Jamais um certificado permanente, muito menos  uma carta de alforria. Como as denúncias continuam, menos envolvendo o ministro, mais a lambança praticada  no ministério através de ONGs fajutas ligadas ao PC do B, a conclusão surge desfavorável para Orlando Silva. Por quanto tempo suportará a pressão do Congresso, da mídia e do próprio governo?

Nessa novela de trapalhadas, todos os grandes partidos, menos um, posicionam-se contra a permanência do ministro: o PT, de olho na importância dada aos Esportes, pelas vultosas verbas agora descobertas em suas estruturas e pela Copa do Mundo de 2014; o PSDB, pela obrigação de fazer oposição; o DEM, vendo no episódio forma de   recuperar-se, como tem deixado claro o líder ACM Neto; até o PDT, sequioso de ver queimada a casa do vizinho,  imaginando salvar a sua.

Mas o PMDB, por  que se mantém em respeitoso silêncio? Solidariedade do vice Michel Temer para com a hesitação da presidente?  Malandragem para aspirar a um novo ministério?  Demonstração de desconforto  diante de Dilma, por conta da falta de nomeações para o segundo  escalão?

Na realidade, os partidos assistem a fritura de um ministro isolado como se assistissem ao ensaio de um ato isolado da peça que em poucos meses vai estrear: a reforma ministerial. Cada  legenda tem suas ONGs e suas empreiteiras atuando mais ou menos como o PC do B tinha as suas. A  hora é de reforçarem as defesas, porque a tempestade vem aí.