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12/11/2011 11h33

SEM CONSUMIDORES NÃO HAVERÁ TRAFICANTES

Por Carlos Chagas
Não que a imprensa seja tão volúvel   assim,  mas a verdade é que a prisão do traficante  Nem no Rio de Janeiro, suplantou o Lupi. Nos blogs, nas telinhas, nos  microfones e nos jornais, o noticiário sobre a prisão do chefe do tráfico na favela da Rocinha deixou para trás as especulações sobre a exoneração do ministro do Trabalho, ajudadas pelo seu humilhante mea culpa com relação  a declarações da véspera. Ganhou uma sobrevida, sabe-se lá se  de dias ou semanas, em especial porque o Nem algemado presta-se mais a imagens e fotografias, sem falar na rocambolesca história de sua prisão.

Ficamos sabendo, também, que o tráfico de drogas comandado na maior favela carioca movimenta 100 milhões de reais ao ano, em torno de 150 toneladas de cocaína, maconha e similares, coisa que nos leva à tentação de inverter a  equação do crime.

A causa são as drogas e os traficantes, o efeito serão os pobrezinhos consumidores, ou será o contrário?  Existiriam os traficantes caso inexistissem os consumidores? Não será a  multidão de viciados a causa principal da existência do tráfico e de  bandidos como o Nem?

Porque posto fora de combate, mesmo podendo continuar controlando a deletéria atividade atrás das grades, como o Fernandinho Beira-Mar, o máximo que pode acontecer é a troca do Nem pelo Bem, o Cem, o Fem e muitos outros.

Ainda esta semana o Senado aprovou projeto considerando crime dirigir embriagado, mesmo sem ter provocado qualquer acidente. O diabo é que não  constitui crime o cidadão  ser flagrado fumando maconha ou cheirando   cocaína, se estiver na posse de quantidade apenas suficiente para o seu uso. Não caracterizado como traficante, mas só usuário, ficará à margem das penas   da lei. Com isso, nivela-se todos os  drogados como vítimas, doentes a merecer tratamento e compreensão por parte da sociedade. Sabemos não ser bem assim, em especial por conta das  classes que formam a maioria do contingente dos usuários, os bem aquinhoados pela fortuna. São eles que mais contribuem para a movimentação dos cem  milhões da Rocinha. Primeiro porque não moram lá, mas em volta,  no asfalto, à beira-mar, até em residências de luxo. Depois, porque recebem   a droga por portador, até pelo correio, sem correr o menor tipo de risco.  Estão felizes, sejam os filhinhos, sejam os próprios papais.

Enquanto não se atacar as causas, permanecerão os efeitos, mesmo mudando de nome, ou  ainda que assassinados por comparsas ou pela polícia, numa ciranda de alta rotatividade.  Sobre os consumidores  deveria ser estendido o braço pesado da lei, não parecendo tão difícil assim identifica-los.  Numa palavra: sem  eles  não haverá traficantes...