20/04/2011 19h51
Semiótica: Categorias Universais do Pensamento e da Natureza
Categorias Universais do Pensamento e da Natureza. À luza das Semiótica peirceana (Charles Sanders Peirce), todo e qualquer fenômeno (aquilo que acontece) passa e perpassa por essas categorias, as quais, didaticamente, são estudadas na seqüência primeiridade, secundidade e terceiridade.
Primeiridade. Esta categoria, para Maria Lúcia Santaella, é “ama consciência imediata tal qual é. Nenhuma outra coisa senão pura qualidade de ser e de sentir”; nas palavras de Décio Pignatari “é o modo ou modalidade de ser daquilo que é tal como é, positivamente e sem qualquer referência a outra cosa”. Por estes conceitos e em outras palavras, trata-se da emoção no seu momento primordial; é a pura qualidade de sentimento no mais tênue despertar poético; trata-se de um instante subto, de um piscar de olhos, de um e relampejo lírico; é um preliminar do sensível; criativo; é o início de um estado de inocência; é um todo coeso, mas, frágil, disforme, caótico e não fragmentável. Portanto, inanalisável. É a gênese do processo criativo.
O signo que manifesta esta categoria é o ícone – imagem do todo conotativo metafórico, analógico, tudo como naturalmente é e estar; em termos de raciocínio é a abdução – as coisas são apreendidas na sua totalidade sem fragmentá-las; e quanto ao gênero de composição, relaciona-se com a descrição: descreve-se um quadro existente.
Secundidade. Esta categoria pode ser entendida, segundo Pignatari, o “modo de ser daquilo que é tal como é com respeito a um segundo, mas sem levar em consideração qualquer terceiro”; aqui está o choque, a luta, o conflito; é a ação física; é o contado direto e pessoal com o mundo concreto; é o contato com mundo exterior tangível, real, factível; é o vivenciar cotidiano de experiências fáticas da vida e/ou do processo criativo.
O signo porta-voz é o índice – marca física do objeto ou sujeito da ação: grama molhado, signo indicial de chuva; fumaça, fogo; quanto ao método depara-se aqui com a indução – parte-se do particular para o geral; sobre o gênero de composição, trata –se da narração – episódio de curta duração.É o fazer in loco.
Terceiridade. Nesta mesma linha teórica e ainda nas palavras de Pignatari é o “modo de ser daquilo que é tal como é, ao estabelecer uma relação entre um segundo e um terceiro”. Para Santaella, esta categoria “aproxima um primeiro e um segundo numa síntese intelectual
O signo comunicante é o símbolo – razão, norma, lei, generalizações, idéias, aquilo que é do conhecimento de todos; trata de ação racional, mental; concernente ao método de raciocínio trata-se da dedução (do geral para o particular), em relação ao gênero de composição, trata-se da dissertação, cujo núcleo é uma idéia.
Ressalta-se que essa abordagem é meramente didática. Em termos funcionais essas categorias podem acontecer simultaneamente. Elas não são estanques. São recorrentes. Enfim, um primeiro implica um segundo, este e aquela formam o terceiro em uma permanente ação semiótica.
Todos os fenômenos, isto é, todos os acontecimentos passam direta e/ou indiretamente, por todas essas categorias. É a semiose.
*Formado em Teologia, Letras e Direito; Mestre e Doutor em Comunicação e Semiótica; Pós-doutor em História Política da América Latina; Professor Universitário Pleno – Graduação e Pós-Graduação.
Raimundo Lopes