/Opinião
09/04/2011 11h52

Semiótica como Ciência de Leitura do Mundo

Raimundo Lopes Matos*
Esta matéria trata de uma leitura ampla e complexa do mundo, principalmente nesta época pós-moderna com suas múltiplas facetas e novidades escritas em suas páginas infinitas. A abordagem vem motivada pela necessidade de um maior conhecimento das peculiaridades deste tempo, pelo viés semiótico; pelo convite dessa nova ciência para uma consciência de um viver comunicativo, eficiente e eficaz com ênfase nas comunicações intrapessoal, interpessoal e extrapessoal; a necessidade de um despertar para a importância dessa nova ciência.
Assim, a Semiótica será abordada como a ciência dos signos e das linguagens: filosófica, científica, artística, cultural, religiosa, política, ideológica, procurando mostrar que a ação, reação e interação de todos esses domínios em processo de semiose formam o tecido deste contexto pós-moderno por que vive o ser humano nestas primeiras décadas do século XXI. A Semiótica, no que tange à sua abrangência, é aplicável em todas as áreas: de uma simples receita de bola às pesquisas mais avançadas dos maiores centros de pesquisas do mundo.
Ressalte-se, desde já, que se tratará da Semiótica peirceana. Assim chamada por ter sido formulada por Charles Sanders Peirce (1839-1914), cientista, matemático, historiador, filósofo e lógico norte-americano, conhecido e reconhecido como o fundador da moderna Semiótica. Esta, por sua vez, vem da raiz grega semeion que significa signo. Não se trata do signo do zodíaco, mas do signo utilizado na comunicação em geral; não quer dizer uma meio ótica, mas acena para uma possibilidade de se ver o mundo com uma visão do todo.
Assim, conceitua-se Semiótica como sendo ciência geral dos signos; e/ou, ciência de todas as linguagens não-verbais e verbais. Estas podem ser orais ou escritas. Aquelas se constituem pelos traços, cores, imagens, gráficos, sinais, modas, luzes, músicas, sons, gestos, expressões, cheiro, tato, olhar, apalpar, sentir etc. Esses linguajares são primordiais e imprescindíveis para a comunicação e vida do ser humano em família, grupo e sociedade.
A Semiótica é fenomenológica: trata dos acontecimentos. Acontecimento é fenômeno. E tudo que acontece passa e perpassa pelo que Peirce chama de Categorias Universais da Natureza e do Pensamento: primeiridade, secundidade e terceiridade as quais se manifestam e são expressas, respectivamente, pelos signos ícone – caricatura, foto, desenho e/ou imagem mental; signo índice – marcas físicas do objeto quais sejam, pegadas na areia: marca de quem ali passou; grama molhada, marca de chuva; fumaça, sinal de fogo etc.; signo símbolo – definições, conceitos, normas, leis, generalizações.

* Formação: Letras, Direito; Mestre e Doutor em Comunicação e Semiótica; Pós-Doutor em História Política da América Latina; professor universitário - graduação e pós-graduação.Nascido no Povoado de Muriçoca/ Município de Santa Inês.