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30/07/2011 10h13

UMA IMENSA CAVERNA DO ALI BABÁ

Por Carlos Chagas

Claro que a corrupção vem de muito tempo. Séculos, desde a colonização portuguesa, ainda que naqueles idos não raro algum alto funcionário tivesse sido removido a ferros para Portugal. No Império, na República Velha, na Revolução de 30, no Estado Novo, na redemocratização de 46, no regime militar e agora, na Nova República, muita gente meteu a mão. O problema é que da década de  90 até agora, a lambança com os dinheiros públicos  só fez aumentar, ao tempo em que os instrumentos de investigação  e de  punição só diminuíram.

Não será demais afirmar que nunca se roubou tanto como hoje, nesse concluio entre  agentes do poder público e empresas privadas, com ênfase para as empreiteiras de obras,  mas sem esquecer as companhias especializadas em vender para o governo.

Melhor dizer para  os governos, porque seria injustiça botar o peso da roubalheira na administração Dilma Rousseff. Ela herdou a presença das quadrilhas mancomunadas com políticos, mas o que dizer dos governos Lula, Fernando Henrique, Fernando Collor e José Sarney, com um refrigério apenas para o período Itamar Franco, não porque se  roubasse menos, mas porque, quando informado, o então presidente baixava tacape e borduna em quem fosse identificado.

O grave na história é que corrupção e impunidade vem andando há  décadas de braços dados, percorrendo avenidas cada vez mais largas. Dilma  pode ter dado início à reversão com a faxina no ministério dos Transportes, mas é preciso aguardar. Com raras exceções, não há um ministério onde não se registre a ação de corruptos, grandes e pequenos,  tudo com a participação, senão  sob a supervisão,  de empreiteiras, de bancos, até de  empresas de comunicação.  Negócios  de toda ordem são fechados à luz de falcatruas, espertezas ou vantagens,  envolvendo comissões, propinas, superfaturamento, facilidades e isenções. A infiltração nos  três poderes da União é uma constante, mesmo nas instituições teoricamente encarregadas de zelar pela coisa pública e pela fiscalização do mundo privado.

Viramos, com todo o respeito, uma imensa caverna do Ali Babá, ainda que aqui e ali possam ser flagrados alguns babões. Nem eles, porém, acabam na cadeia.