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01/02/2012 12h49
AINDA AS DROGAS - Consumo de drogas em Santa Inês tem aumento comprovado com prisões de traficantes
O desenvolvimento recente da estrutura montada em torno do tráfico de drogas em Santa Inês, demonstra que o crack se transformou em uma real fonte de renda para os chefes do tráfico na região. A forma petrificada da cocaína vem ganhando lugar de destaque na vitrine do narcotráfico, já que se estabelece com preços acessíveis para criminosos e usuários, e tem maior poder de vício em comparação com outras drogas.
O úmero crescente de apreensões de crack em Santa Inês assusta até mesmo as autoridades que acreditam que o consumo está se disseminando por toda parte. Em menos de uma semana cerca de dez traficantes foram presos nos bairros Sabbak, Parque Santa Cruz, Mutirão e Vila do Rato, locais com maior índice de violência registrado na cidade.
A magnitude do problema que o crack representa para a sociedade é orientada por valores cada vez mais decadentes, e que a cada dia sofre os efeitos devastadores da droga. Composta por cocaína, bicarbonato de sódio, espessastes malignos ao ser humano, o crack é basicamente a cocaína fumada, com uma diferença: enquanto a cocaína é absorvida pela mucosa do nariz, metabolizada pelo fígado e liberada gradualmente pelo cérebro, o crack é absorvido pelo pulmão e enviado diretamente ao cérebro, provocando efeitos muito mais intensos, porém menos duradouros, o que explica o seu poder viciante.
A combinação preço acessível e sensação de delírio, se converteu na principal motivação para jovens usarem o crack em lugar da cocaína, ou como etapa seguinte à maconha. Segundo dados recentes da Secretaria Nacional Antidrogas, em torno de 0,7% dos estudantes da rede pública já admitiram ter experimentado o crack, com reflexos danosos para o rendimento escolar, relações familiares e no aumento da criminalidade.
Comércio da droga chega ao centro da cidade
Atualmente o crack está presente não só na periferia da cidade, mas também nas áreas mais nobres e centro de Santa Inês. “O índice de usuários de crack na classe média e nas classes mais altas está em torno de 40%. O perfil do viciado nessas camadas sociais é diferente em relação aos indivíduos que acabam experimentando o crack por esta ser uma droga mais barata. São pessoas que já usavam cocaína e acabam migrando para o crack, que tem um efeito mais intenso e viciante”, explica um policial do serviço de inteligência da PM.
Pontos de venda se multiplicam
Apesar do intenso trabalho do Serviço Velado da Polícia Militar para erradicar o grande mercado de tráfico de entorpecentes em Santa Inês, os pontos de vendas estão se multiplicando na cidade e na região. Traficantes costumam designar adolescentes iniciantes e até os próprios filhos no mundo do crime –a maioria menor de idade– para vender drogas em pontos escolhidos por eles próprios.
“Os jovens, alguns deles menores, moram próximo dos traficantes, eles recebem a droga em pequena quantidade – para caso seja preso, não perder a droga em grande quantidade- em seus bolsos e traficam. Muitos trabalham para alimentar seu consumo. Quando acabam de vender, recebem algumas pedras em troca da comercialização” explicou o policial.
Reações
A dependência moderada provoca diarréia, vômito, confusão mental e pânico. Com o uso prolongado, o dependente aumentará as chances de perder a capacidade de raciocínio, torna-se agressivo e passa a ter crises de alucinações. O usuário ainda corre o risco de arritmias cardíacas, hipertensão, complicações vasculares, excesso de transpiração, tremores, calafrios, convulsão e morte.
Realidade
A despeito Lei número 11.343/06 (nova lei de drogas), que endureceu as penas para o traficante, mas abrandou para o usuário, a Polícia Militar vem ampliando suas ações de combate ao tráfico de drogas. Para o policial investigativo, o tráfico é o único crime que leva a outros. “O usuário de drogas rouba para sustentar o vício e é morto se não paga o traficante”, diz ele.
Alumínio
Os usuários de crack inalado a partir do aquecimento de latas de alumínio correm o risco de terem ossos enfraquecidos e até Mal de Alzheimer precoce. Esta é a conclusão do Centro de Pesquisa em Álcool e Droga da Universidade do Rio Grande do Sul (UFRS). Os pesquisadores constataram que 1 em cada 5 viciados tinha maior quantidade de alumínio do que os valores máximos toleráveis (6 microgramas por litro de sangue).
Atenção com os jovens e aconselhamento
Mantenha com eles um diálogo aberto e permanente sobre os perigos das drogas, ressaltando as conseqüências a médio e longo prazos;
Desconfie quando seu filho apresentar um súbito desejo de isolar-se, queda repentina no rendimento escolar, desleixo com o asseio pessoal, odor característico e intensa necessidade de vender (ou trocar) objetos domésticos;
Caso descubra que seu filho seja um usuário de crack, obtenha informações sobre o assunto e busque tratamento o quanto antes possível;
Segundo especialistas, as crianças que usam crack sofrem danos no organismo ainda mais devastadores que um adulto, aumentando o risco de overdose;
A Polícia Militar mantém gratuitamente em algumas escolas o Proerd (Programa Educacional de Resistência à Violência e às Drogas), destinado a ensinar crianças de 4ª a 6ª séries a evitar o mundo das drogas;
As escolas desempenham uma função social importante, e por isso devem ampliar a discussão em torno do tema, enfatizando que uso de drogas continua sendo crime na lei penal brasileira.