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14/11/2012 10h54 - Atualizada em 14/11/2012 12h51

Assassinato de adolescente em avenida central de Santa Inês deixa população revoltada

Raimundo era o caçula de uma família de sete irmãos e morava com a mãe na Rua Jonas Catarino

Muitos crimes contra a vida vêm acontecendo ultimamente em Santa Inês. Pessoas são mortas no centro da cidade, a golpe de facas ou por armas de fogo. A morte de um adolescente na noite de domingo (11) na Avenida Luiz Muniz, quase que nos fundos da Igreja Matriz de Santa Inês, causou muita revolta e indignação na população local. Um menino de apenas 14 anos, com uma vida inteira pela frente, foi a última vítima da crueldade de pessoas que acreditam quem, sabe, na impunidade. Depois da morte por assassinato, resta a família quase sempre apenas a esperança de que seja feita justiça. O AGORA, conta em um de suas páginas desta edição, mais uma tragédia que enlutou uma família humilde que tinha a expectativa de um futuro brilhante para o pequeno Raimundo. E faz coro com a família dele: é preciso mesmo que se faça justiça e se coloque na cadeia para pagar penas pesadas àqueles que se acham no direito de tirar a vida dos outros.

COMO TUDO TERIA ACONTECIDO
O adolescente Raimundo Adriano Cardoso Costa, de apenas 14 anos, foi morto na noite de domingo, 11, em frente ao ponto de táxi localizado na Avenida Luiz Muniz, próximo a Praça da Matriz, centro de Santa Inês.

Segundo informações de Ivaldo Santos, pai da vítima, ele passou a tarde assistindo a um jogo no Bairro do Aeroporto, local onde residia, quando uns amigos o chamaram para dar uma volta na Praça da Matriz.

De acordo ainda com Ivaldo, Raimundo estava encostado em sua bicicleta, em frente ao ponto de táxi, quando reconheceu uma amiga que passava acompanhada do namorado e a cumprimentou, o que teria provocado ciúmes no namorado da amiga que começou a discutir de longe com Raimundo. Em seguida o assassino se aproximou da indefesa vítima e lhe desferiu um golpe, acredita-se que de punhal, na altura do peito, empurrando-a para trás, sendo que esta caiu no chão.

Raimundo ainda tentou sair andando do local e até pediu ajuda aos colegas afirmando que estava sem ar. Ele foi socorrido e levado para o Hospital Thomaz Martins (HTM) mas não resistiu ao grave ferimento e morreu.

Raimundo era estudante da Escola João Paulo II localizada no mesmo Bairro do Aeroporto, era o caçula de uma família de sete irmãos e morava com a mãe na Rua Jonas Catarino.

A polícia acionada, diz que já tem informações de quem poderia ter praticado o crime, mas busca maiores informações na tentativa de prender o assassino nas próximas horas. O corpo do pequeno Raimundo que queria ser jogador de futebol foi sepultado na tarde de segunda-feira no Cemitério do São Benedito.

SANTA INÊS A MERCÊ DA VIOLÊNCIA:
Santa Inês vive dias de grande violência em função dos crimes de homicídios e de atentados contra a vida. A violência não poupa sequer praças e locais próximos à polícia. O número de assassinatos na cidade de Santa Inês aumentou nos últimos meses. A falta de policiamento ostensivo, de blitz que desarmem os marginais e inibam a criminalidade, o descaso com o sistema prisional, a liberação de traficantes que nem mesmo chegam a “mornar” uma semana na cadeia, homicidas que são beneficiados em razão das brechas da Lei, tudo isso são pilares da política da “matança” na região, o que deixa os bandidos com sensação de impunidade e contribui para o aumento da violência.

O aumento no número de crimes já gera uma sensação de medo entre a população. A Polícia Civil acredita que muitos casos estão relacionados com o tráfico de drogas e consumo desmedido de bebidas alcoólicas. Mas ao que se nota, tem muito mais motivos que ajudam a inchar lista de crimes contra a vida em Santa Inês. Casos passionais, acertos de conta, mortes por encomenda, latrocínios, entre outros.

Mortes em 2012 no entorno da Praça da Matriz:
Com o assassinato do adolescente  o AGORA registrou três casos de morte próximo a Praça da Matriz, sendo dois deles, após a missa realizada na Igreja Santa Inês.

EXECUÇÃO COM TRÊS TIROS
Alison Alves foi executado com três tiros em plena Praça da Igreja Matriz por volta das duas e meia da madrugada do dia 14 de julho. Dois indivíduos executaram a sangue frio Alison Alves, de apenas 30 anos de idade. Os autores do assassinato estavam em uma motocicleta, pararam em uma esquina próximo à praça e um deles desceu da moto, se aproximou de Alison e efetuou três disparos, sendo um na nuca e os outros dois nas costas, deixando-o caído, já sem vida. Detalhe: o crime aconteceu a menos de 10 metros do box da PM.

ESFAQUEOU TRÊS
No dia 02 de setembro, um menor de 15 anos esfaqueou Klemilson Barros por volta das 20h em pleno domingo, na Praça da Matriz, horário que finaliza a missa e várias pessoas continuam na praça conversando, lanchando e até brincando com filhos em brinquedos infantis. Segundo informações, o menor teria oferecido um aparelho celular a Klemilson. A vítima recusou-se a comprar.

O menor teria insistido na tentativa de vender o aparelho. Houve discussão e o menor aplicou um golpe de faca em Klemilson. Mas tarde ele ainda furou os irmãos Klécyo e Kleber Barros quando abordaram o menor que revidou usando a mesma faca utilizada para ferir a primeira vítima. Kleber não resistiu aos ferimentos e morreu.

 

 

Mãe lamenta morte e narra projetos do filho
 
A reportagem do AGORA esteve ontem (terça-feira) na residência onde morava o adolescente Raimundo Adriano Cardoso Costa, 14 anos, morto no último domingo (11), próximo ao ponto de táxi da Avenida Luiz Muniz, em Santa Inês. Durante cerca de 15 minutos, a equipe deste jornal conversou com Lea de Jesus Cardoso Costa, mãe do adolescente, a qual contou que Raimundo era o filho caçula de uma família de sete irmãos – 4 mulheres e 3 homens.
Aos prantos, Lea narrou os últimos momentos que passara com o filho e disse que ele era uma criança carinhosa com ela, não gostava de bebida e era contra o vício do cigarro, tanto que fez com que ela deixasse de fumar.
Lea disse que Raimundo era cheio de projetos. Era torcedor e sonhava ser jogador do Flamengo-RJ. Cursava a oitava série e era um aluno aplicado, tanto que nunca ficou reprovado.
Com um olhar triste, a mãe do garoto contou que ele completaria 15 anos dia 5 do próximo mês de dezembro e que ganharia presentes que ele mesmo teria pedido pelo seu aniversário.
Quanto à punição ao assassino de seu filho, Lea de Jesus disse que espera a justiça de Deus, porque nada vai superar a dor que ela sente por ter perdido seu filho caçula.