02/04/2011 13h48
Mais um suicídio registrado em Santa Inês
A jovem Iarle Farias Damasceno de apenas 20 anos, cometeu suicídio na noite de terça-feira, 29, ingerido veneno para rato conhecido como RB. O ato tresloucado se deu em sua residência localizada no bairro Sabbak. Iarle havia tentado contra sua própria vida uma primeira vez há cerca de quatro anos após a morte de seu pai, Antonio Eugênio Damasceno de 72 anos que morreu devido a problemas de diabetes.
Segundo Francisca Rodrigues, mãe de Iarle, ela sempre dizia aos familiares que gostaria de reencontrar seu pai e saber onde ele estaria após sua morte.
Na manhã de terça, Iarle almoçou na casa de um tio no Bairro Santo Antônio e perguntou se ele tinha ido ao Mercado Central, ele respondeu informado que acabava de chegar de lá. Após a pergunta, a jovem pegou a bicicleta e saiu do local sem dizer mais nada. A família acha que nesse momento ela saiu para comprar o veneno.
A jovem chegou em casa por volta das 16h, sendo que, no inicio da noite saiu para dar uma volta pela rua retornando às 19h30, momento em que foi para seu quarto. Alguns minutos depois, ela pediu álcool a sua mãe para cheirar e passar em seus braços porque estava tonta: “nessa hora minha filha pediu o álcool porque já estava agoniada, se sentindo sufocada devido ao veneno e eu não sabia de nada” disse Francisca.
Iarle não respondia a nenhum sinal e foi levada pelos familiares para o Hospital Tomaz Martins, mas não resistiu, falecendo minutos depois de ingerir o veneno.
Segundo Francisca Rodrigues, mãe de Iarle, ela sofria de depressão desde o falecimento de seu pai, ocorrido há quatro anos. “ela havia tentado suicídio há quatro anos, quando só fazia três meses que seu pai havia falecido com problemas de diabetes” conta dona Francisca.
Em 2008, Iarle passou um tempo internada na UCI do HTM em Santa Inês, após tentar contra a própria vida com chumbinho, tendo os médicos conseguido sua recuperação. Logo após receber alta, ela fez tratamento em Teresina e passou a tomar remédio controlado por apenas um ano, interrompendo o tratamento.
Número de suicídios aumenta em Santa Inês
O número de suicídios aqui na cidade de Santa Inês teve um aumento alarmante. Entre os meses de fevereiro e março, seis pessoas cometeram atentado contra a própria vida, quase uma morte por semana. Em estatísticas nacional O suicídio está entre as três principais causas de morte, entre pessoas de 20 a 52 anos, incluindo os principais fatores como depressão, transtorno bipolar, alcoolismo e abuso de drogas. A grande maioria são pessoas de classe social média e baixa.
O Agora Santa Inês se debruçou sobre o assunto e anotou alguns dados que são necessários para o conhecimento público. De acordo com o psiquiatra e psicoterapeuta Luciano Roberto de Oliveira Carvalho, os motivos que fazem com que haja maior incidência de casos em jovens são justamente as características dessa camada social. “Essas pessoas estão em períodos de mudanças, afirmações de valores, estão buscando sua identidade. E tudo isso gera desilusões e decepções em situações de fracasso”, informa o médico.
Carvalho ainda ressalta que os números divulgados não condizem com a realidade. “Hoje, por exemplo, temos uma divulgação de 24 suicídios por dia no Brasil, mas está aquém do que de fato ocorre”, revela. Já em pessoas adultas, o médico fala sobre a saúde já gasta devido ao avanço da idade, a solidão e ao fator financeiro.
“Na verdade, uma série de fatores estão associados com o risco de suicídio, incluindo doença mental, alcoolismo, bem como fatores sócio-econômicos. Embora as circunstâncias externas, tais como um evento traumático, podem desencadear o suicídio, não parece ser uma causa independente. Assim, os suicídios são mais prováveis de ocorrer durante os períodos de família sócio-econômico, ou uma crise individual” disse Carvalho.
Em Santa Inês, o suicídio é cometido mais freqüentemente por homens do que por mulheres. Na realidade, o número de tentativas com sucesso é maior nos homens do que nas mulheres, sem dúvida porque os homens escolhem, geralmente, métodos mais violentos como enforcamento ou revólver. Já as mulheres preferem intoxicação por medicamentos e outros métodos.
Para diminuir o número de mortes continuada, os psicólogos pedem que as pessoas conversem mais com seus familiares e amigos e, caso notem alguma mudança de comportamento, levá-los a um médico psicólogo para tratamento. O objetivo é preencher uma lacuna criada pela desconfiança, pelo desespero e pela perda de esperança e dar à pessoa a esperança de que as coisas podem mudar para melhor.