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03/09/2011 11h10 - Atualizada em 03/09/2011 11h47

Revolta e comoção marcaram a apresentação de Marconio na delegacia de Santa Inês


Policiais Civis conteram os familiares que tentaram linchar o acusado. Marconio não demonstrou
arrependimento nem comoção ao falar de sua esposa

O foragido da Justiça, Marconio Antonio Rodrigues Castro, de 35 anos de idade, foi preso pela Polícia Militar na cidade de Carolina, no sul do Maranhão no domingo, 28 de agosto. Ele estava foragido desde 2009 acusado de ser o mandante do assassinato da própria esposa, a costureira Iraneide de Paula Castro, de 34 anos de idade, no Bairro Pequizeiro aqui em Santa Inês.

Marconio foi recambiado para cá na noite de terça-feira por uma equipe da Delegacia Regional comandada pelo próprio delegado regional Valter Costa e foi apresentado no inicio da tarde de quarta-feira, 30, para a imprensa. Com olhar frio, Marconio não demonstrou em momento algum, arrependimento pelo ato cometido nem comoção ao falar de sua esposa. Negou o tempo todo que seja o autor intelectual do crime, e alegou que não conhece o pistoleiro identificado pela alcunha de “Borracha” autor dos disparos que mataram a costureira. Ao ser indagado o motivo de sua fuga um dia depois do crime, após prestar depoimento na delegacia, ele afirmou que saiu da cidade por problemas de saúde, mas não soube informar qual a doença que o acometia, e porque não havia se apresentado quando melhorou. Várias perguntas lhe foram feitas pelas autoridades policiais mas o acusado disse que só responderia em juízo.

De acordo com o delegado Regional de Santa Inês Valter Costa, o crime já estava elucidado, a partir de um trabalho à época comandada pelo então delegado Regional Raimundo Batalha. Segundo a polícia, Marconio contratou Heriberto Cabral Silva, apelidado de “Borracha” - que hoje se encontra foragido após uma fuga em massa da cadeia local - para matar sua esposa Iraneide. Após o  crime,  Marconio, com a intenção de promover uma espécie de queima de arquivo, simulou que pretendia defender a esposa já morta e atirou no então comparsa “Borracha”, e assim, ainda passou uma boa imagem perante a família dela. Plano que não obteve sucesso e deixou os rastros que a polícia precisava para desvendar o crime.

Durante as investigações descobriu-se também que a vítima tinha um seguro de vida no valor de R$200.000 e o beneficiário em uma possível morte da costureira era o esposo. O delegado Valter Costa afirmou ainda que era quase impossível prendê-lo já que, ele não tinha residência fixa e morava dentro de uma caminhonete pelos interiores, dificultando a ação da polícia. Ele será julgado por dois crimes; homicídio qualificado e tentativa de homicídio.

Devido a agressividade dos familiares, o carro teve que sair em
disparada com parte da mala traseira ainda aberta

Revolta e emoção:
“O tempo não pode apagar a dor de um crime ainda impune”, com essa frase estampada na camisa e cartazes, familiares e amigos de Iraneide compareceram na delegacia por volta das 15h de quarta-feira, depois de lerem a matéria da prisão de Marconio estampada na capa do Jornal AGORA, que deu a notícia em primeira mão na manhã daquele dia.

Emocionados irmãs e sobrinha falaram da convivência com Marconio e da frieza com que ele lidou com o assassinato no momento do velório. “Ele é muito frio, depois que matou minha irmã, ele iniciou um teatro, chorou muito afirmando o amor que sentia por ela e o quanto seria difícil sem a convivência com ela. Ele nunca tinha feito nada de mal para ela e o filho.” declarou a irmã de Iraneide.

“Queremos justiça, ele foi um covarde, não tem sentimento por ninguém, espero que apodreça na cadeia”, disse uma amiga da vítima. A conversa com os familiares foi interrompida por gritos no momento em que Marconio era retirado da delegacia para ser transferido para um local seguro. “Assassino! Assassino! Assassino”, correria e tumulto foi o que se viu na saída do acusado, muitos tentaram linchá-lo, mas foram contidos pelos policiais. Devido a agressividade dos familiares, o carro teve que sair em disparada com parte da mala traseira ainda aberta. Houve correria na rua na tentativa de alcançar a viatura policial que conduzia Marcônio que foi escoltado por duas viaturas até a saída da cidade. Ele ficará preso em local não divulgado aguardando julgamento.


Familiares e amigos da costureira Iraneide prestaram homenagem na porta da Delegacia
 


(Borracha) autor dos disparos que matou Iraneide continua foragido