/Refletindo Através das Letras
18/01/2012 11h41

José Maria Viana: Festival de Música e Sapiência

Acompanhei o Festival de Música José Maria Viana, que aconteceu no último final de semana, no Ginásio de Esportes João Cambinha. Achei que o grupo ‘No Pé do Ouvido’ acertou na escolha do artista homenageado, porque é preciso ovacionar todos os ativistas culturais de nossa Santa Inês: Ezequias Gomes, Raimundo André, Treze, Chico Mirim, Daffé, João Alípio, Barrozo, Graça Santana, Luís Henrique, Carlos Denílson, dentre tantos.

Meus leitores, vou opinar um pouco, às vezes é necessário. O Zé Maria Viana é um pai de família comprometido com a ampliação dos laços fraternos, um produtor de literatura, com muitas nuances, beirando sempre o realismo fantástico e o maravilhoso. E sem dúvida, um dos maiores compositores do Maranhão com várias letras gravadas por grandes nomes da Música Popular Brasileira. Como diria o Caetano Veloso: “Só com muitas realizações ao longo da existência podemos marcar nossa passagem pelo universo, e quem marca a história dos outros, merece homenagens”

Logo depois de ouvirmos as músicas na final, algumas belíssimas. Conversei com o Homenageado do Festival:

- Seu Zé Maria, como você consegue tantos fazeres no campo da arte? Você é compositor, músico e grande alquimista das palavras, com quatro livros publicados. Qual é a receita?

- Professor Paulo, eu dediquei minha vida para ler os clássicos da Literatura Universal, para aprender a tocar um violão, e principalmente para escrever poesia. Agora estou aposentado, mas continuo com o mesmo foco. Sou fascinado pelo universo do signo verbal. As palavras sempre provocaram um entusiasmo enorme em meu espírito. Vou lutar com elas até o meu último dia aqui na terra, não com a intenção de vencê-las, porém com o desejo de devassá-las, nas suas intimidades. Meu destino é entender mais o humano, usando a minha caneta. Disse, com um brilho profundo nos olhos, o Zé Maria.

Gostei deveras das palavras carregadas de sapiência deste artista tão completo, tão equilibrado, tão destacável entre nós. E acabei aprendendo, que as homenagens são mais alegres quando acontecem com o corpo pulsando. Encerro, portanto, com o Nelson Cavaquinho: “Me dê as flores em vida / O carinho, a mão amiga / Para aliviar meus ais / Depois que eu me chamar saudade / Quero preces e nada mais”.

Paulo Rodrigues (Professor e Poeta)